AGREMIAÇÕES DE FREVOS DE BLOCO - RECIFE/PE

    Maria de Deus Oliveira
As agremiações de frevos de blocos fazem parte da fantasia nostálgica e ímpar, que retrata a mágica beleza efêmera do carnaval pernambucano. Suas músicas quando não verdadeiros hinos à essência dos mais belos sentimentos, como o amor, saudade, fantasias amorosas etc., são dignas homenagens póstumas aos personagens reais e relevantes da história de um povo, ou reverenciam personalidades que se destacaram nos palcos dos entrudos. É o meu ritmo preferido para compor, pela deliciosa cadência e a interpretação elaboradas pelas vozes de corais harmoniosos, tocados pelas bandas de pau e corda, acompanhadas por flautas e os mais variados instrumentos de sopro.  Diante dessa harmonia os seus participantes deslizam, bailam e valsam com suas alegorias, as mais belas e deslumbrantes que desfilam nas passarelas da alegria carnavalesca. Entre tantas folias tradicionais da região desse estilo lírico, o Bloco da Saudade é o mais famoso da capital, Recife, fundado em 1974. E finalmente como todos sabem, o carnaval é a festa pagã mais comemorada em todo o mundo e de acordo com os costumes de cada região. Apesar de Paris ser a precursora na exportação dos mais variados arquétipos de fantasias, o Brasil hoje, acentuadamente, o Rio de janeiro, tornou-se como a referência em desfiles alegóricos, cada vez mais aprimorados pela beleza da representação de atores da vida real e na diversidade da criação dos múltiplos personagens de ficção. A riqueza elaborada pelas tradicionais escolas de sambas é realmente de uma genialidade ímpar, infelizmente, elas, e os seus devotos expectadores, são lastimavelmente prejudicados pelo curto espaço de tempo, insuficiente, para exibir o maior espetáculo, impecavelmente colorido, fabricado de forma totalmente artesanal, o maior teatro musical ao vivo do planeta,  representado pelos mais belos adornos metafóricos e com seus artífices manipulados com destreza e a leveza que somente o artista sambista tem a habilidade de executar. O show é exibido sem nenhum ilusionismo virtual para toda a terra. Com uma sensualidade ímpar, a exposição de muitos corpos praticamente nus, contrapõe-se a uma moralidade imposta pela sociedade que exige um comportamento pudico, mas que todos já possuem ciência de ser apenas um falso moralismo, então, nos dias de folia, libertinagem geral. Machos e fêmeas soltam a “franga”,  provocantemente, se despem num misto de liberalidade sensual e apelo afrodisíaco. Todos aqueles que acompanham, vivem com certeza, momentos de vestirem suas fantasias que vivem fervilhando dentro do seu próprio eu, em pensamento e explicito em palavras e vestimentas, mas naquele determinado momento nada é proibido, como os efeitos libidinosos, excitantes, sensuais que provocam aplausos em delírios apaixonados e sôfrego. Fundada em 12 de março de 1535, a cidade cresceu acompanhando as margens de seus rios: Beberibe e o Capibaribe. A praia do Cotovelo marca e imprime uma geografia peculiar embelezada por pontes para ligar os acidentes naturais da majestosa Veneza brasileira. No total são quarenta e nove construções que possibilita a travessia sobre os rios que cruzam a cidade e orlas. São as águas salgadas e doces que ao misturar-se dão o  primeiro encanto à cidade, e depois,  o seu povo de coração aberto, alegre, faceiro e de sorriso franco, que preserva com orgulho ímpar sua cultura,  como os frevos, os maracatus, cirandas e outros estilos que são um marco na geografia, dentro do tempo e no espaço do povo pernambucano que oferece suas ricas características para todo povo.


Homenagem póstuma à Gilberto Freyre   
       Um sociólogo, com mestrado em Ciências Sociais, na Universidade Colúmbia em Nova Iorque. Escritor, pernambucano, nascido em Recife em 15 de março e faleceu em 18 de julho de 1987.  Conhecido mundialmente pelo seu livro, “Casa-grande e senzala”, Forma e Cor, e outros. Um defensor da liberdade de expressão e das amarras da escravidão do ser humano vivida pelos menos privilegiados! Foi convidado para viver em outros países e disse que jamais sairia do seu bairro Apipucos  e jamais abdicaria  do clima tropical de Recife! Senti-me muito honrada por ter composto este frevo de bloco em dezembro de 1987 e este ter  sido o escolhido para prestar a homenagem póstuma a esse ícone da nossa literatura, escritor social, na passarela do carnaval pernambucano e interpretado pelo coral do Bloco Pierrô de São José, em 1988.  

Tudo que se consome em exagero nessa vida faz muito mal para saúde.  É preciso moderação para se viver  saudavelmente. A única coisa que não é  preciso economizar, é no amor. Ame bastante, ame muito e viva feliz na plenitude do amor!
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