Para o Futuro




Autor: Maria de Deus Oliveira

Não adianta olhar para trás.... O que passou, passou... Águas passadas não movem moinho e agora o que deve ser feito é levantar a cabeça, dar um chute no passado, passar a bola para frente, porque fazer gol contra, é prejuízo.
Lastimar não vai resolver o problema. O que resolve é estancar a ferida, fazer um torniquete e não deixar mais as coisas ruins penetrarem na alma através do sangue, das entranhas e do pensamento. Nesse momento o melhor é fazer de conta que se levou um tombo e tudo que se carregava escorregou e caiu dentro do esgoto e a corredeira das águas levou. Que bom, que alívio, sentir-se leve como uma pluma e livre para pular, saltar, correr léguas e fugir desse tormento.
Há quanto tempo eu não me sentia assim? Descarreguei finalmente esses trambolhos que não me devam leveza no andar. Era tanto peso que estava totalmente corcunda de infelicidade e não podia enxergar nada à minha frente. Nunca mais tinha percebido as coisas belas que existem, como o gramado cheio de margaridas no canteiro das calçadas, os casais de namorado trocando carinhos. Só havia tanta tristeza e um tranco na garganta que não me permitia pedir socorro: preciso viver, não quero morrer!
Meu Deus, nunca mais tinha percebido a brancura das nuvens de verão, só via as cinzas, porque só havia inverno dentro do meu coração. As borboletas acenando para mim que maravilha. Ali na frente há um túnel. O que será? Tem uma luz de pisca-pisca! Deixa-me ver de perto. É uma luz verde. Então é caminho livre. Vou entrar. Aí Deus! Escorreguei! É um turbilhão! Caí dentro do mar!
Que mar lindo, azul, como eu nunca vi. Vou lavar minhas tristes lembranças e sacudi-las quando esvoaçar a cabeça para tirar o excesso das águas dos meus cabelos, mas agora, só quero nadar em busca da felicidade. Obrigada Deus. Estou viva e renovada. Tenho forças porque estou livre dos grilhões invisíveis da desesperança que me atrelavam e que agora estou liberta, tenho uma nova rota a seguir, e se é o meu destino, somente eu posso caminhar para alcançar. Sei que é preciso muita força para emergir e depois usar passos muito fortes. Não fraquejar, manter distância do temor de fracassar, estar seguro. Muita fé, acreditar que vou ser vitorioso e dar adeus para o passado, porque agora, só irei de volta para o futuro!
Livro: Alinhavando Palavras – Sem pé, nem cabeça. I VOLUME





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