Paixão e Amor....





Autor: Maria de Deus Oliveira

As pessoas se apaixonam loucamente, unem-se. Vem a rotina e abala as estruturas, e cada um, sentindo-se infeliz, quer trazer de volta a sua vida, aquele encantamento vivido no passado. Sentir a mesma paixão avassaladora que abalava as estruturas mental, corporal, espiritual, que deixa no rosto um sorriso à toa e permanente, contabilizando com ansiedade os minutos para tocar, sentir o queimar da pele invadida por múltiplos e frenéticos desejos. O amor entre as pessoas unidas espiritualmente e carnalmente, não sobrevive sem paixão, mas, somente ela, não sustenta um relacionamento que precisa de base sólida, acompanhada por muitos pilastes de carinho, afeto, respeito, lealdade, companheirismo etc. A cumplicidade é um pacto velado e apaixonado, o comprometimento de ambos para promover a harmonia entre um e o outro com a finalidade exclusiva de serem felizes para todo o sempre. A paixão nos deixa completamente loucos, surdos, mudos e cegos. Só enxergamos o objeto de desejo e nada mais, enfim, quando ela acaba, cai à venda e se enxerga ao olho nu, então, é terrível constatar como surgem repentinamente milhões de defeitos. É como alguém que precisa usar lentes de grau, vê tudo plano e perfeito, mas ao colocar os óculos, percebe todas as falhas. Há uma tremenda desilusão ou até mesmo acredita-se que nunca conheceu aquela pessoa, era outra que nunca chegou a existir. Escafedeu-se? No amor não se ver os defeitos, mas os acata e respeita-se a diferença e a individualidade. Não se deixe enganar pelo brilho. Sempre quando formos dar um passo que envolva sentimentos amorosos, todo cuidado é pouco para não pisarmos em falso, porque lá adiante é que se percebe que todos nós somos iguais e a única diferença está na digital, ela que coloca marcas profundas ou leves, verdadeiras ou falsas.
É preciso ouvir à razão ou o coração? Colocar na balança os prós e os contra: Quem fez infeliz quem? Onde foi que eu errei? Onde foi que o outro errou? Onde erramos todos nós? A vida é um gira-mundo onde até as pedras se encontram. Não devemos nos entregar sem ter a certeza de que é para sempre, isso é leviandade, porque o amor é o maior prêmio que se pode tirar na loteria, mas se não soubermos administra-lo, perdemos em primeiro lugar os lucros, depois pedimos concorda e não resolve e finalmente, vai-se a falência total
Voltar de um profundo despejo de emoções, torna nossa avaliação mais crítica ou totalmente cética. Recobrar o equilíbrio emocional depende de planejar um roteiro para recuperar a noção do bem viver durante todas as horas dos dias, das semanas, etc. É preciso antes de tudo acreditar que o mal não dura pra sempre e que se corre um grande perigo de fracasso nas relações em que não podemos mostrar com fidelidade a nossa personalidade diante do nosso par e fingir ser o que ele pretende. Se passarmos um dia inteiro preso ao mesmo e não tivermos direito a um minuto sequer de aspirar liberdade de sermos nós mesmos, isso causa ansiedade, tédio ou até mesmo sensação de pânico. A solução é correr depressa, estamos atolando num terrível pântano. Deus nos acuda! O amor não é coisa do outro mundo. É real quando somos essencialmente verdadeiros, transparentes, sem máscaras ou subterfúgios. A parceria com o outro deve ser clara, pura, confortável, dividir, partilhar e principalmente se doar por inteiro. A felicidade faz parte de uma colheita plantada à dois com muita cumplicidade, como se faz uma colcha de pequenos retalhos em que só acabamos de alinhava-la quando restar apenas um único pedaço de pano e o último fio de vida para o arremate final. Assim, acho que vale a pena viver a dois e dividir a escova de dentes...

Livro: Alinhavando Palavras - Sem pé, nem cabeça. I VOLUME
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