terça-feira, 16 de setembro de 2008

A ÉTICA E A MORAL






Autor: Maria de Deus Oliveira de Siqueira Alves

Um pensamento trazido pelo novo modelo administrativo e enriquecido pelo aprofundamento de estudos sobre os tratados da psicologia social e humana, formulado através de uma didática de natureza organizacional, fazia emergir uma nova metodologia que buscou na epistemologia da filosofia para se fundamentar e aplicar dentro das empresas, uma Pedagogia Organizacional, voltada para retroalimentar o processo administrativo, por meio da ética. As palavras, ÉTICA e MORAL, normalmente são confundidas como sinônimos. Entretanto, a primeira está ligada à própria consciência do “ser”. Uma postura virtuosa na práxis do bem comum e da verdade universal, totalmente independe da interferência do meio. A segunda, diz respeito às leis e normas sociais, pré-estabelecidas pelo homem, para a sociedade a qual pertence. O significado de Ethos em Heráclito: habitar (a virtude era intrínseca ao homem). Para Aristóteles, Ethos: hábito, origem no latim, moral (não era inata, mas adquirida pela repetição da prática da virtude). Dessa forma, à Ética transcende a Moral.





De Heráclito até os neoplatônicos, havia uma relação entre a sabedoria, ética e as virtudes morais: Epicuro e Metrodo, a felicidade não provém do mundo exterior, mas encontrada dentro nós; Clinias, a virtude é aperfeiçoada pela razão, escolha (livre) e “poder”; Demócrito, a felicidade e a infelicidade são propriedades da mente; Sócrates, a virtude; Platão, a bondade; Aristóteles, o homem é virtuoso quando triunfa sobre si mesmo e a felicidade está vinculada à alma; Jâmblico, a felicidade é o “motor” que dá sentido a existência a plena realização humana. Na Filosofia grega, as virtudes estão ligadas à justiça, sabedoria, combate ao vício, verdade, coragem, purificação e iluminação da alma etc. Para a Filosofia da Índia: retidão, harmonia, unidade entre os seres, verdade, hospitalidade, honra, fidelidade, tolerância, respeito por todos, equilíbrio etc. Os pontos comuns entre as duas vertentes, está no conceito da ética, como princípio universal da práxis em prol do bem e da justiça e que a felicidade está na contemplação do outro “ser”, sem as amarras do egoísmo, ação libertadora, para que todos possam viver sem sofrimento.





Schopenhauer refere-se, sobre a existência do “ser” como um eterno sofrimento, causados pela maldade, caridade e o egoísmo; esse último opõe-se aos outros eus, torna o homem individualista, nega a liberdade e usufrui negativamente da exploração pelo outro, orientado por um sistema político-econômico-cultural injusto alienador. A compaixão, humanidade e a caridade, para com o sofrimento do outro, era quem salvava o homem. No momento que enseja construir a felicidade no outro,





ocorre a liberdade de ambos. Urge que o pensamento da humanidade seja direcionada ao respeito pela vida com dignidade, cidadania e a valorização do “ser” em si mesmo, porque a desenfreada valorização do “ter”, está destruindo as sociedades. Pensar em estabelecer justiça para com o outro, é se libertar em comunhão com todos.





O compromisso ético está no respeito pelo outro, como sujeito igual a nós e não, um objeto de uso, sem o egoísmo do eu. Uma práxis do “nosso” ser, favorecendo a concretização do bem comum que permita um espaço que dignifique o ser humano e não excluir o pobre, que o sistema colocou à margem, sem cidadania ou dignidade, injustiçado pela ignorância e engolido pelo engodo capitalista. A consciência libertária, em defesa da justiça ética, é construir dentro de uma sociedade corrupta, uma ação libertadora, de forma que não possa ser impedida a concretização da humanização e baseada na concretude da felicidade universal.





A Ética, para Lenivás, se fundamenta na responsabilidade com o outro. Parece tocar no ponto nevrálgico da ética ocidental e constituir-se num desencontro das águas, com o fim do império do eu, da egolatria, do egoísmo, do interesse próprio, cooptação do saber e no discurso do conhecimento para todos. Coibir a indexação insana e nulificadora da alteridade. Surge então o direito da democracia para todos, da alterologia e gratuidade, da colaboração, do desejo da práxis, do mistério, da sensibilidade auditiva ao suplicante que exige ser respeitada a sua diferença. O núcleo da ética modifica o egoísmo em compaixão, para si mesmo e para o outro Dussel inspira-se na ética de Lévinas, embora seu enfoque seja dirigido aos rostos sofridos pelos porões da ditadura, o clamor dos pobres excluídos pela opressão econômico-política. As nações latino-americanas apesar de serem cativeiros, também são colônias do imperialismo e que necessitam de uma ação libertadora, porque elas também são os membros excluídos das classes majoritárias dos continentes, portanto, essa práxis, tem que ser uma estratégica libertadora dual, contra as forças ideológicas falsas e domesticadoras que assumem nomes de inimigos, como o comunismo, ateísmo etc, transgredindo a moral da conduta e que não permite a expressividade da energia da alteraridade do coração, pois essa é, quem desperta a responsabilidade universal e reúne as virtudes da sensibilidade, sabedoria e discernimento. Restabelece o outro do anonimato insensível através do triângulo da bondade, amor e sabedoria. A ética então nos novos tempos passa também a ser sinônimo de competência.





Schopennhauer afirma que o fundamento da ação moral e ética, está na compaixão. Embora conteste o dever dentro da moral, refere-se que na afetividade há uma empatia e essa será que fundamentará e norteará a norma da ação ético-moral, não da moral autoritária. Esse exercício de livre expressão permite a afinidade com a solidariedade, compaixão e ética. A primazia antropológica da compaixão é o solvente do egoísmo e ocasionada pela abundância de dores que sofre o indivíduo, por uma educação equivocada, fundamentada na egologia, mas que vai ser regenerada pela solidariedade de uma vida autêntica que alicerça verdadeiramente a compaixão moral e ética, expressada pela ação antropológica da convivência humana e a empatia estigmática por todos os seres humanos, sensibilizada através da proximidade, dando surgimento ao cumprimento da responsabilidade pelo outro, como um mestre em ética libertadora, não pela obrigatoriedade, mas sim pelo pleno anseio de igualdade para todos.





Até a poucas décadas, os patrocinadores da produção de bens e serviços foram perversos com os menos favorecidos, pervertendo as relações humanas das classes trabalhadoras através da alienação e a imposição ao conformismo causado pelo desequilíbrio social, porque a falta de liberdade e dignidade ao proletariado sempre foi a lógica do sistema neoliberalista. Iniciava na prática pedagógica das escolas, alienadas pelos poderosos, ocultando a realidade, seja contra a natureza antropológica do ser humano, que torna o homem objeto e não sujeito de sua história, sem compromisso pela libertação política da repressão, fazendo vítimas inconsciente da mistificação e massificação política das elites, baseada nas ideologias cínicas e contrarias a Ética. É da responsabilidade dos administradores a não conivências com essas barbáries, mas sim repreender e expulsar da sociedade, os atos contra autonomia do indivíduos, mas compromisso real com a educação, saúde e cidadania, que significa o bem comum, ou seja, essa aprendizagem do profissional da Administração verificar e estabelecer que a necessidade da qualidade de vida para o sujeito é imprescindível para sua participação ativa e competente dentro das empresas foi uma reviravolta dentro da sociedade dominadora mas que teve que ceder paulatinamente e esse processo ainda não está em plena ascensão, principalmente na mentalidade obsoleta dos países colônias, porém a cada dia há novas tomadas de decisão em torno desse tema e cada vez mais esses nobres profissionais participam de uma prática transformadora para sociedade, por esse motivo denominada de Pedagogia Empresarial, porque essa forma de pensar desses executivos passa a ser associado a competência e como princípio básico para sua formação, o seu procedimento profissional dentro da Ética, capaz de modificar as fórmulas estereotipadas da moral em benefício dos menos favorecidos.
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