TEMPO E ESPAÇO





UMA REFLEXÃO SOBRE TEMPO E ESPAÇO, NA SOCIEDADE PRÉ-MODERNA X CAPITALISMO
Autor: Maria de Deus Oliveira de Siqueira Alves

“Tempo, espaço e mundo são realidades históricas”. (Milton Santos).

Resumo: Esse artigo é uma reflexão sobre o controle do tempo e do espaço pelos capitalistas, sobre o proletariado e as colônias, ao longo do seu imperialismo, aliado à alienação que esse sistema elaborou paulatinamente e de forma globalizada, um domínio perverso. A preocupação exacerbada para prática constante ao consumo, remete uma mensagem enganosa para as sociedades, de que a aparência do indivíduo, é bem mais importante do quê a essência humana.

Palavras chaves: Tempo, espaço, modernidade, capitalismo. Contextualizando:
Tempo: flexão verbal indicativa do momento a que se refere à ação ou o estado etc. Espaço:. Lugar delimitado. Período ou intervalo de tempo. Local ou recinto, real ou virtual, destinado a alguma finalidade. Espaço Cultural. Modernidade: qualidade de moderno. Capitalismo: Sistema sócio-econômico no qual os indivíduos e empresas detêm a posse dos meios de produção, organizando o trabalho com vistas ao lucro no mercado, por meio da livre concorrência.
O mundo ocidental acumulou enriquecedor conhecimento geográfico, na época da Renascença, considerada como era da descoberta do estudo da geografia, também aplicada através da matemática. As constantes viagens marítimas trouxeram o real conceito para o planeta terra, finita e redonda. Cresce então o investimento na construção naval pela conquista desses espaços, porque as mercadorias naturais encontradas para consumo e para o comercio, era o grande motivo do empenho dos reinos em financiar esses eventos. O mapeamento demarcava os direitos de propriedade sobre os territórios que os navegadores conquistavam para os seus países, delimitando as fronteiras políticas, detendo o direito de coibir a invasão por outros estrangeiros, porque a grande disputa entre os reinos, visava o enriquecimento através das riquezas encontradas nas terras exploradas e “o espaço podia ser apropriado na imaginação de acordo com os princípios matemáticos” (HARVEY, p. 225). Quando o homem descobre, através da Ciência, que a natureza está ali para servi-lo em todos os aspectos da vida terrena, surge um novo tipo de sociedade para o mundo, as sociedades pré-modernas, que se difundem por espaços diferentes, de acordo com o seu grau de identidade. A sua “ascensão” ou “queda” social, durante o tempo, vai encaixá-lo devidamente em seu “lugar”, determinado pelo “poder social”, em particular o sistema monetário capitalista, que manipula e mantém todos sob o seu controle espacial e temporal, para obtenção de lucro, seja através da especulação ou exploração pelo trabalho das classes menos privilegiadas. Nesse processo de transição da sociedade tradicional para a moderna, a invenção do relógio, uma espécie de “marco zero” do tempo, dá o ponto de partida do movimento de rotação da terra, à linha imaginária do meridiano Greenwich, que estabeleceu essa convenção, as horas aumentavam ao leste do meridiano e diminuiam ao oeste. Vale salientar que, no século XIX, a Inglaterra era a nação mais potente do planeta. Se fosse hoje, talvez o Greenwich, passasse por Nova York. Construído em 1858, o Big Ben está no alto da Torre de Santo Estéfano, de 98 metros de altura. Ele faz parte do conjunto arquitetônico de Westminster, às margens do Rio Tâmisa, onde estão o Parlamento Britânico, a Catedral de Westminster e a Parliament Square,. Foi importante contribuição para o sucesso e a soberania do “capitalismo”. Norteando e mensurando o tempo abstrato, com uma medida artificial, foi acordada, implementada e incorporada mundialmente (Anteriormente o homem se baseava pela temporalidade sazonal, das estações do ano), dessa forma, além de administrar os espaços existentes, perpassou o seu domínio sobre o tempo social do indivíduo, de acordo com as suas relações sociais de produção e se apropriando da mais valia elaborada pela força de trabalho de determinadas comunidades, da massa social não estruturada, onde a luta individual jamais terá utilidade. A modernização provocou uma distância e um grande desnível entre as pessoas, porque houve uma inversão de valores, valia muito mais: “ter”, os bens materiais e o poder; do que: “ser”, movidos pelos bens morais e a virtude. O dinheiro passa ter lugar de privilégio diante humanidade, criando um abismo social entre as elites e o proletariado. A busca frenética da burguesia pelo status, através do conhecimento científico, tornando-se experts em determinada especialidade, ou seja, a chamada carreira profissional, ou como latifundiário, ou como dono da matéria prima, tornou o mercado de trabalho um campo de guerra. Sem propriedade dentro dessas competências, o indivíduo era e continua sendo até hoje, considerado desqualificado e nocivo para uma sociedade positivista e na qual as lutas de classes nunca conseguem remeter para execução de fato, pelo menos, a garantia de suas necessidades básicas. O alimento é o ponto chave da questão, mas há outros fatores e outros aspectos que fazem parte da vida em sociedade do homem e que são necessários para o seu existir, como: saúde, educação, moradia, vestimenta, transporte etc, que devem estar dentro e de conformidade com o seu espaço e tempo, e esses termos muitas vezes são interpretados erroneamente como sinônimos, mas como se refere Santo Tomás de Aquino, que as palavras não são sinônimas apenas porque indicam um mesmo significado (res), mas por abordarem um mesmo aspecto (rádio), nesse contexto está equiparado a uma mesma dimensão. Sendo assim, viver compreende a existência de um tempo, que para sobreviver, exige um espaço digno para se ocupar. Esse espaço não significa apenas a visão panorâmica de uma paisagem ou um patrimônio tombado para a humanidade e também não somente, simplesmente a posse de qualquer lugar, mas sim, um local de lutas pela mobilização da igualdade social, que vem por meio de tempos, séculos, em busca de uma distribuição justa de renda, do espaço, do tempo e do lucro real do capital utilizado pelo meio de produção e que o homem tenta conquistar pela sua força de trabalho, porém o dono do capital não valoriza e faz que não percebe, que sem ela, não haveria mercadoria, não geraria divisas do produto final para ser comercializado. Sendo o lucro dividido harmonicamente, promoveria uma transformação social. A política capitalista fixa todas as regras do jogo social: o domínio sobre o tempo do trabalhador; a demarcação do território; o investimento nas técnicas a serem utilizadas; o estudo para desenvolver as habilidades para a produção robotizada, por meio do ensino tecnicista, enfim, tudo gira em torno e em benefício da relação do poder, porque o sistema de produção implica na qualidade e eficiência da organização, para vencer as barreiras espaciais e alcançar os objetivos, que são o lucro, o dinheiro. Quando o sistema de comércio ainda era trocas de mercadorias, também exigia mobilização espacial e localização. O ganho visado através de vantagens excedentes. O controle do tempo e do espaço, sempre ligado a força do poder almejava o maior ganho financeiro possível, as vezes indevido. O capitalismo incentiva exageradamente, o homem para o consumo, sempre ditando a moda e normas, definindo as regras básicas do jogo social dos grupos: os que estão a favor e os que são contra a exploração. Esses últimos, sempre engolidos pelo lado mais forte, quando não vão à falência, pedem concordata, ocorrendo grande demanda de desemprego e desvalorizando a mão-de-obra. As batalhas por conquistas são importantes para exterminar a dominação. Os conflitos geopolíticos garantem a soberania das colônias em seu território, diante da tentativa de domínio pelos imperialistas. Portanto, a lutas de classes são essenciais também para a libertação do homem, representa a propagação de uma ideologia humanista e solidária, a reação a alienação e o aprender a saber dizer não, aos discursos vazios que primam por aprisionar o tempo e o espaço do trabalhador, porque quanto mais hábil for o tempo em se produzir uma mercadoria, a recuperação do capital investido será mais rápido e bem maior. Com todo esses bens revertidos para um melhor ganho do investidor, o que lucra o trabalhador com o excesso de tempo empregado, se não participa dos ganhos de capital, a mais valia? .Entre 1846 e 1847, também na Inglaterra, é patenteada a primeira crise capitalista, que abalou toda a burguesia, afetando tanto o período histórico, como o geográfico, com um dado profundamente marcante para a economia. O fracasso não era pela dependência da ausência ou abuso dos fenômenos da natureza, mas sim, da natureza proveniente das coisa humanas, como, a ganância pela especulação e a superprodução, provocou um declínio financeiro que abalou o mundo inteiro de forma radical, que perpassa para o ano de 1848, uma crise de representação que implica e sacrifica o homem num sentido bem amplo: no tempo e no espaço; um transtorno para a vida cultural, política e econômica, principalmente porque vai resultar na noção de ciclos econômicos, isso é, anos produtivos e outros desastrosos para economia e que desfaz a ilusão do pensamento “iluminista”, no sentido de tempo físico e social, impregnados por pressupostos matemáticos, que nunca haviam sido previsto, a desestabilização da vida econômica européia. Além do mais, os trabalhadores se aliavam em torno de benefícios em prol de si mesmos. Os super ganhos, nunca seriam partilhados por eles. Já que também o seu tempo empregado no trabalho não era recompensado, porque não recebia pelas horas extras e todo o trabalho empregado para o retorno do capital em dobro, era apenas em benefício do dono do patrimônio, pelo menos teriam de angariar algumas garantias para melhoria de vida nos seus espaços particulares. Além do mais, o dinheiro em espécie havia sumido do mercado, havia uma estrutura de crédito fictícia, mas o dono do dinheiro real, comandava o poder social, os Rothschilds, banqueiros, dominavam as finanças do continente europeu, e o fizeram com muita propriedade, com grande proveito, através da instituição de sua rede bancária, financiando empréstimos e ratificando a necessidade do capital fictício que alteraram o sentido de tempo para investimentos e taxas de retorno. Em meados de 1858, surgem então os mercados de ações e de capital, apenas um capital fictício, mas que era sistematicamente necessário para a realização de um investimento, fosse para abrir um empório, uma fábrica etc, exigia-se um estabelecimento com uma organização baseada nas leis legais de incorporação e de contratos do mercado monetário. Inicia em 1973, medidas para revitalizar o sistema capitalista. O neoliberalismo malfadado, mobiliza o mercado em torno de intensas pesquisas para saber enfocar com eficiência o apelo comercial. Reduziram-se o tempo de giro de mercadorias e do dinheiro com o aumento dos juros, investiram em pequenos lotes, requalificação essencial ao bom atendimento e em qualquer nova perspectiva de trabalho. A mídia surge com nova roupagem, enaltecendo os genéricos, os descartáveis e as grotescas e também as perfeitas imitações. Um novo sistema de entrega é implantado. Para movimentar o mercado vale-tudo, não há discriminação e nem descartado o potencial de compra individual do consumidor, nem contra seus desejos, sejam os mais íntimos. Com as variações de câmbio em torno da moeda, o dólar, e a quebra das barreiras espaciais, aumenta a competição, ocasionando uma crise mundial. Mas as portas abertas das fronteiras, teve um lado positivo para os capitalistas. Oportuniza investirem em outros espaços onde a mão de obra e o custo de matéria prima é bem mais barato do que nos grandes centros industriais e isso se tornou um trunfo para o lugar explorado, que precisava ser diferenciado para se tornar um local mais atrativo, culminava em benfeitorias para os habitantes. Pela primeira vez a moeda se desmaterializou, surgindo outras formas imateriais de dinheiro, mas registrado e avaliado por alguma unidade monetária escolhida como: dólar, marco, libras esterlinas etc, e as alterações das taxas de câmbio dessas moedas poderiam causar, para uns, muitos prejuízos ou promover acúmulo de riquezas, devido a inflação ou deflação. A partir de 1969 e acelerando em 1970, a inflação privou os poupadores do seu lucro real o que fez com que as pessoas utilizassem outros tipos de investimento, por não confiar no dinheiro em si e foram diversificando para outros mercados de capitalização de maiores ganhos, nos investimentos em metais, obras de artes, imóveis, produção cultural e até mesmo em mercado de trabalho. Paul Virilio (apud/HRAVEY, p. 270), “ [...] o tempo e o espaço desapareceram como dimensões significativas do pensamento e da ação humana”, porque a globalização com as quedas das barreiras, praticou uma reorganização nas trocas de mercadorias, podendo essas, as comidas, as músicas, os modismos e as culturas, trazidas no início pelos migrantes urbanos, de todos os países e que depois quê, toda a sua complexidade geográfica foram compiladas e a nós apresentadas, por uma estática telinha da televisão, ou numa nova dimensão de sociabilidade nos tempos de hoje, o mundo digital, que trazem consigo um fluxo de imagens e informações que possibilitam vivenciar diferentes mundos ao mesmo tempo e num só espaço e que apenas não só relata como se deu essas relações sociais implicadas na produção do material e o modo de processamento do trabalho apresentado no produto final. Fragmentada a cultura, pela proximidade e o ampliação de laços sociais com tantas outras sociedades e que diversifica o princípio de alteridade, do sentimento para com o outro, mas generalizando, para com os “outros”, o pensamento vagueia pelo mundo virtual e digital, que tem a pretensão de confundir o imaginário pela alienação. Muitas vezes o indivíduo se ver perdido de sua própria identidade e nessa busca paira uma dúvida, e surge a pergunta,: “para me firmar dentro desse espaço e tempo atual, qual a personalidade preciso demonstrar ter?”. Um outro conflito vivido se apresenta, pela aniquilação do espaço, por meio do tempo. A solução necessária para aliviar a compressão do tempo-espaço pela acumulação de capital, precisa reduzir o tempo de giro da mercadoria, para que haja crescimento e desenvolvimento nos espaços vivenciados pelo tempo da modernidade. Para isso é necessário o surgimento de um instinto coletivo para estabelecer regras de convivência, impor estratégias para compartilhar as situações sem grandes perdas, de forma que a interação social e a solidariedade das lutas de classes venham dar sustentabilidade para a modernização e prevenir o sistema econômico contra a falência, porque a globalização corajosamente criou uma moeda nacional como o euro, para satisfazer os anseios da comunidade européia e varreu todas as diferenças, locais, nacionais e internacionais monetárias, através do “Cartão de Crédito”, que materializou o dinheiro em espaços geográficos distintos e com credibilidade mundial. Nos tempos vividos até agora e que se formaram tantos espaços diferentes entre si, é preciso que todos busquem coesão e se articulem em prol de benefícios revertidos para um todo como se fosse apenas uma unidade. Não valorizar apenas o cenário político e financeiro, mas que o lado social prevaleça e ganhe supremacia sobre todos os demais, porque a Educação é um bem universal. Importante será existir equilíbrio e justiça para todas as raças, credos e países. Que se criem projetos de políticas públicas mundiais direcionados para que todos possam compartilhar da vida com cidadania e dignidade, isso sim, seria o grande investimento para a globalização da união e da paz.

Referências BAUDRILLARD, Jean. Simulacros e simulações. Lisboa: Ed. Relógio D'Agua, 1991.

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