terça-feira, 16 de setembro de 2008

RESUMO SOBRE HENRI BÉRRGSON - FILOSÓFO FRANCÊS



SILVA, Adelmo José da. Departamento das Filosofias e Métodos – FUNREI. ANAIS DA FILOSOFIA. REVISTA DE PÓS-GRADUAÇÃO. Fundação de Ensino Superior de São João Del Rei - MG – Nº. 8 - 1. Filosofia Periódico – Julho de 2001, p. 45 a 56.
Maria de Deus Oliveira de Siqueira Alves

Henri Bérgson, filósofo francês, em sua obra: As duas Fontes da Moral e Religião (Lês Deux Sources de la Morale et de la Religion), encontra-se a reflexão, sobre dois tipos de existência: 1) A Moral Fechada, com uma forma de religião considerada inferior, à estática, que está ligada coação; 2) A Moral Aberta, com religião interpretada como dinâmica e ligada a sedução e atração. Bérgson busca uma resposta que possa satisfazer o problema da concepção moral para fundamentar a verdadeira moral. Estaria essa razão moral baseada na orientação estritamente racional Kantiana, ou como era exposta pelos Medievais com o pensamento transcendental, baseado na fé? Nem tanto ao homem, nem tanto a Deus, a noção de moral parecia estar situada numa infra-estrutura formada pelo instinto natural do homem para conviver em sociedade, denomina de supra intelectual, o que seria a aceitação do misticismo realizado através de uma religião dinâmica.
No seu estudo sobre a “Moral Fechada”, o aspecto social está intimamente ligado ao fator moral que produz inicialmente uma consciência dirigida a sociedade, uma ação irresistível, tornando a personalidade do homem reduzida ao cumprimento social, sem poder manifestar o seu desejo próprio, sendo então o ser reduzido a manipulação como se fosse uma marionete do meio. É evidente que o pensamento do Bérgson, remete à salvação do homem diante do conformismo social, indo de encontro à própria realização pessoal. A moral faz parte da satisfação ao cumprimento do pensamento coletivo, “o todo da obrigação” (apud/p. 47), por um instinto social que instiga a satisfazer a rigidez de uma sociedade fechada e que não pensa e nem visa o bem da humanidade como um todo. O aspecto moral, compreende em obedecer a um conjunto de regras e hábitos já traçados pela sociedade e ao indivíduo resta apenas o esforço para adaptar-se sem se dar conta do caráter obrigatório das medidas e regras, sem questionar os valores explorados e qual a sua real necessidade em ser cumprida, sem nenhuma exigência racional, nem algum postulado metafísico, mas apenas a uma sistematização de aquisição de hábitos pelo homem já predisposto a praticar certas normas sociais.
Henri fala sobre o fracasso do conceito da função fabuladora da estrutura fechada. Considerando que o homem, um ser dotado de inteligência possa ter senso crítico em relação à ordem social, acarretando a dissolução dos seus hábitos e levá-lo a romper com as regras. Isso causa uma norma de precaução, sendo necessário um discurso unificador, como forma de fazer frente a esta eventual ruptura, na qual os indivíduos possam se agregar, empreendido através da tarefa de ficções, personagens imaginários, seres fantásticos, românticos, lendários, mitológicos etc, sem nenhum pensamento lógico. A função fabuladora funciona ao provocar uma espécie de alucinação, fazendo com que os indivíduos reúnam-se em sociedade, afastando o perigo da dispersão e dissolução. Em resumo, a moral fechada resulta do vínculo forte do indivíduo as sociedades criadas a partir do instinto social e onde ele atua como parcela deste todo social. Sua participação é meramente passiva, reduzido o exercício de sua vontade e liberdade, conformando-se com as idéias pré-estabelecidas, porque é a solidez desses hábitos que assegura a estabilidade dessa sociedade.
A concepção moral em Bérgson situa-se no combate ao materialismo e ao misticismo cristão. O aspecto social, esse sim, estaria vinculado ao fato moral: “[...] o coletivo vem reforçar o singular, e a fórmula “é o dever” triunfa sobre as hesitações que pudéssemos ter frente a um dever isolado” (apud/p.46).
A Moral Aberta, baseia-se num pressuposto totalmente diferente do conceito da noção fabuladora, “A emoção criadora é responsável pela fundação da sociedade aberta” (p. 50). Mobiliza o respeito pela diversidade, pela inventividade do outro, dentro do princípio da alteridade, proporcionando uma harmonia edificada justamente por essa ação criadora e diferenciada entre os homem, que é livre para escolher seu estilo de vida para sua realização pessoal e contagia os outros, no sentido de motivar à invenção própria: “mais criador por excelência é aquele cuja ação intensa é capaz de intensificar também a ação dos outros homens, e acender, generosa, as chamas de generosidade”. (apud/p.50).
Sem imposições religiosas e regras, educa-se sem constrangimentos, mediante uma prática sensibilizadora, coerência existencial e responsável pelo discurso de liberdade de expressão transparente e contemplado pelo amor universal: “ Nem essa metafísica impôs essa moral, nem essa moral exprimem a mesma coisa, uma em termos de inteligência, a outra em termos de vontade: e as duas expressões aceitas desde que se nos deu a coisa a exprimir” (apud/p. 51).
A diferença entre a moral fechada e a aberta, conforme Bérgson: “[...] a primeira é mais pura e mais perfeita na medida em que se reduz melhor as fórmulas impessoais, a segunda deve encarnar-se numa personalidade privilegiada que se converte em exemplo” (apud/p. 52). A generosidade de uma, depende da aceitação universal de uma lei e a outra tem a ver com a imitação comum, de um modelo. Também elabora uma divisão entre elas: a moral fechada, é representada por uma sociedade de caráter coercitivo e da obrigação, enquanto a moral aberta, compreende, o humanismo dentro da sociedade: “[...] há por trás dela os homens que tornaram a humanidade divina e que imprimiram assim um caráter divino à razão. São aqueles que nos atraem a uma sociedade ideal ao mesmo tempo em que cedemos à pressão da sociedade real”.
Henri Bérgson aponta outros pontos que diferem as duas formas de pensamentos. A Moral Fechada: baseada na coerção ou compulsão por uma sociedade estática, que pretende senão manter a conservação de seus padrões e que imobiliza a própria vida do homem. É imutável e tem a pretensão de ser definitiva. Quem consegue enriquecê-la e mantê-la fundamentada dentro da razão daqueles que a respeita como obrigação pura, é a própria consciência daquele ser que à aceita e justifica A Moral Aberta: considerada como a moral da aspiração, é baseada no incentivo ao progresso. O indivíduo é considerado como um eterno aprendiz e o ponto de partida para sua expressão, causada pela liberdade da escolha de criação pelo homem. Por ser dinâmica, impulsiona o homem para expressar o seu conhecimento e partilhar com os outros e que não são reduzidos e nem orientado por obrigações, mas para satisfazer plenamente a sociedade e os homens individualmente.
Para Bérgson, ambas fórmulas de moral estão intrínsecas à evolução da vida. No primeiro momento surgem as sociedades fechadas na qual a palavra mestra é a obrigação. Quando surgem as almas privilegiadas capazes de transcender o pensamento limitado do grupo social e estender para um plano mais democrático e melhor desenvolvido, assume um caráter mais digno, no que se refere ao fortalecimento, para se manter a igualdade entre os homens.
Nas considerações finais do filósofo, ele faz questão de relevar as diferenças de natureza existente entre as duas citadas: a Fechada, uma moral estática, abstrata na imitação do exemplo advindo da personalidade daqueles que aceitaram o fato do mais alto grau de misticismo e firmada pelo hábito que proporciona encerrar fórmulas fechadas em tudo que nega a mobilidade; a Aberta, como uma dinâmica de caráter concreto e pessoal pela qual a obrigação é a força da inspiração , um impulso que culmina em uma vida social de igualdades e que fazem com que se rompam com o conformismo da moral fechada, porque a moral aberta é comunicativa e possui um poder de persuasão afetiva que contagia. Guiada pela emoção e tendo como suporte o misticismo não se deixa aprisionar por regras pré-determinadas, mas fundamentada por um dinamismo moral e pelo instinto solidário da sociedade a que pertence.
O filósofo pretende reforçar que não se pode fundamentar a moral, apenas no culto da razão, mas sim no instinto social e também no misticismo e que a obrigação é regida pela emoção que se transformam em uma conduta moral transformada em um impulso e vitalidade existencial.
Podemos observar que a necessidade da conservação e manutenção do todo social é o que denomina a obrigação moral dos indivíduos que vivem em função da sociedade. O que deu origem ao estudo de Bérgson na denominação da obrigação moral em geral, foram os indivíduos que vivem em função da sociedade porque esses são quem estruturam e inculcam os hábitos a ela. O lado estático da moral é denominado infra-intelectual. Denominado de supra-intelectual, o lado dinâmico da contribuição do homem, que diz respeito a um conjunto de hábitos que apesar de também serem inspirado no misticismo, transcenderam a inteligência. Para Henri, esses aspectos como a infra-intelectual e supra-intelectual, devido estarem vinculados ao poder da emoção e também ao misticismo, não se pode dar um caráter racional à conduta moral e não se pode deduzir que se originem e se fundamentem na pura racionalidade: “Mas a verdade é que nem a doutrina, em estado de pura representação intelectual fará adotar e sobretudo praticar moral, encarada pela inteligência, como sistema de normas de conduta, tornará intelectualmente preferível à doutrina (apud/p.55).
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