A QUESTÃO ÉTICA EM PAULO FREIRE



Autor: Maria de Deus Oliveira de Siqueira Alves

O pensamento filosófico de Henri Bérgson, francês, em sua obra: As duas Fontes da Moral e Religião encontra-se a reflexão, sobre dois tipos de existência: A Moral Fechada, com uma forma de religião considerada inferior, à estática, que está ligada coação e A Moral Aberta, com religião interpretada como dinâmica e ligada a sedução e atração. Bérgson busca uma resposta que possa satisfazer o problema da concepção moral para fundamentar a verdadeira moral. Estaria essa razão moral baseada na orientação estritamente racional Kantiana, ou como era exposta pelos Medievais com o pensamento transcendental, baseado na fé? Nem tanto ao homem, nem tanto a Deus, a noção de moral parecia estar situada numa infra-estrutura formada pelo instinto natural do homem para conviver em sociedade, denomina de supra intelectual, o que seria a aceitação do misticismo realizado através de uma religião dinâmica. No seu estudo sobre a “Moral Fechada”, o aspecto social está intimamente ligado ao fator moral que produz inicialmente uma consciência dirigida a sociedade, uma ação irresistível, tornando a personalidade do homem reduzida ao cumprimento social, sem poder manifestar o seu desejo próprio, sendo então o ser reduzido a manipulação como se fosse uma marionete do meio. É evidente que o pensamento do Bérgson, remete à salvação do homem diante do conformismo social, indo de encontro à própria realização pessoal. A moral faz parte da satisfação ao cumprimento do pensamento coletivo, “o todo da obrigação” (apud/SILVA. 2001, p. 47), por um instinto social que instiga a satisfazer a rigidez de uma sociedade fechada e que não pensa e nem visa o bem da humanidade como um todo. O aspecto moral, compreende em obedecer a um conjunto de regras e hábitos já traçados pela sociedade e ao indivíduo resta apenas o esforço para adaptar-se sem se dar conta do caráter obrigatório das medidas e regras, sem questionar os valores explorados e qual a sua real necessidade em ser cumprida, sem nenhuma exigência racional, nem algum postulado metafísico, mas apenas a uma sistematização de aquisição de hábitos pelo homem já predisposto a praticar certas normas sociais.
Os estudiosos da administração levaram diante deste estudo do Henri, chegaram a conclusão que para transformar um contexto nocivo para era preciso que a ética permeasse todos os sistema de trabalho que norteiam a vida do ser humano, principalmente no âmbito de trabalho. Os dirigentes das empresas precisavam ter conhecimento e discernimento dos valores filosóficos que fundamentam o viver humano, tanto nos aspectos políticos, científicos e culturais. Era necessário que os gestores responsáveis pela direção de pessoas e em diversas categorias profissional, durante a sua formação, buscar aprender, adicionar e internalizar os procedimentos essenciais contidos na filosofia, psicologia, sociologia, pedagogia etc., para gerenciar com seriedade e responsabilidade de forma democrática e justa, ajustando novos paradigmas para a sociedade em prol do seu desenvolvimento que não se poderia favorecer apenas aos donos do dinheiro, dos espaços, era preciso promover transformações sociais, não se corromper diante da alienação e saber dirigir os conflitos de classes, estabelecendo acordos entre empresas e empregados numa determinada instância de satisfação para ambas as partes. O homem não pode viver sem trabalho, porque isso significa a segurança das suas necessidades, o pão, e mais realizações de desejos, e o empresário precisa do trabalho do empregado pois sem ele não há produção e sem ação produtiva, também não haverá divisas. No entanto é preciso garantir a cidadania do trabalhador, e essa só será respeitada, através da ética empresarial, permitindo e promovendo as transformações sociais, tanto de forma verticalizada e horizontalmente, isso faz parte da competência do Administrador.
Durante longos anos o mercado de trabalho foi alienador. Hoje a prática docente deve ser reflexiva, visando desenvolver o ser humano em sua totalidade para empreender atitudes baseadas na construção de valores, afetividade e no humanismo, porque ao longo dos tempos, a educação tornou-se uma cultura alienada aos fatores dominantes. O professor, o canal a serviço da pedagogia tradicional, um ensino obsoleto, e depois tecnicista. Desempenhava sempre papel passivo, apático e por isso o seu prestígio desmoronou. Apenas um transmissor de conhecimentos sem uma proposta política que contemplasse os alunos com uma formação para o desenvolvimento cognitivo, não se importando na produção de saber e guiá-los para uma conduta ética e moral em busca da autonomia, formava apenas seres acríticos e alienados perante as crises sociais, comprometendo o processo do ensino-aprendizagem.
Urge reformular esse contexto, mudanças na formação dos professores para torná-los geradores do seu próprio conhecimento, pesquisadores e reflexivos da própria prática, para reconstruírem a forma de pensar, capaz de planejar e intervir com uma nova dinâmica. Um novo profissional politizado, para educar e adicionar as pessoas desde os valores físicos, morais e intelectuais dos saberes cognitivos, capazes de estabelecer seus próprios conceitos, criticar e administrar a sua própria vida. Essa é finalidade real da Educação, construir o cidadão com aptidões e finalidades.
Outra função importante para esse novo tipo de educador: gestão da classe com competência. Saber realizar todas as funções pedagógicas, desde o estabelecimento de regras, atividades, atitudes diante das situações que se apresentem etc. Agir com democracia, criatividade, autonomia, podendo ele próprio elaborar as propostas de ensino com técnica própria. Sua prática didática-pedagógica dirigida a adequar o currículo a um planejamento que julgar viável a sua aplicação, relevando a importância e obediência aos princípios morais, democráticos, atitudes éticas que valorizam o ensino pela garantia da cidadania, ato político, porque envolve as relações de poder e que legitima os princípios éticos contra a servidão. A postura do professor tem que basear-se em atitudes compatíveis com as obrigações da prática docente das tendências contemporâneas em busca do conhecimento científico, compromisso profissional e ético, baseado na formação humana, Saber unir a teoria com a prática, porque essa é mais breve forma de se chegar ao conhecimento. Através da ação, se constrói o conhecimento de forma concreta e integral. Na atualidade há uma preocupação benéfica por parte das instituições de ensino do país, em pesquisar as multiformas para aprimorar os cursos de licenciatura, Pedagogia, Normal Superior etc, na formação de docentes para dotados de variados saberes e qualificados de maneira competente e que mobilizem a educação para o pensamento reflexivo através da pesquisa, de uma formação mais abrangente, em aspectos importantes de conhecimento nível social, político e científico e principalmente o conceito da auto-avaliação e reflexão sobre a atitude da sua conduta docente É a partir de uma nova produção na graduação, com novos critérios éticos, epistemológicos, didáticos e uma pedagogia renovada baseada na concretude que proporcionaram novos benefícios na proposição do ensino, impedindo a alienação, humanizando e orientando os discentes para dar sentido e significado para a sua existência. Viver o presente e futuro com dignidade e igualdade.

A reflexão é o conceito principal na formação dos professores. É a consciência do sujeito racional e intelectual, fundamental para o processo formativo e principalmente o posicionamento dele diante das adversidades da vida e se disponibilizar para trabalhar pelo resgate da dignidade do discente e não se deixar também se tornar uma das vítimas do sistema positivista alienador, sabendo interpretar o mundo de forma transparente.
Durante séculos a pedagogia teve um falso conceito para competência. Centrada apenas na aquisição de conhecimentos, através de uma educação bancária, criando uma oposição entre competência e desempenho e finalmente na concepção clássica que considera competência como uma faculdade genérica, uma potencialidade de qualquer mente humana. Hoje a competência é considerada como saber em resolver os problemas corretamente através da prática, baseada na teoria. É impossível se inferir a competência, mas, essa não existe sem o conhecimento. Esse é o que determina o ponto de partida para a reflexão e que produz a ação.
O conceito da palavra competência, dentro da Educação, há uma certa dificuldade para se definir o termo. Seria uma “noção geral” (apud/GHEDIN. 2005, p. 14) “Idéia de comunicação em rede e integração de funções” (idem). Mas na realidade essa palavra dentro da cientificidade é “uma teia de relação entre saber, saber fazer e saber-ser” (idem, p. 15. Enfim, competência é possuir uma gama de conhecimentos gerais, e em particular, com os sociais, que envolvem os valores, idéias e crenças culturais. Exige várias competências, como: saberes eruditos de conhecimento, experiência, habilidade, resolver situações-problemas, saber planejar e desenvolver projetos, dirimir, improvisar, saber avaliar, conceituar, disciplinar sem repressão e principalmente formar cidadãos autônomos, administrando a docência, com ética.
O enfoque dado pelas políticas públicas, quando foi instituída, sobre a necessidade de ser edificada na educação as competências no processo formativo, surge durante o governo de Fernando Henrique Cardoso e possuíam um caráter tecnicista, dessa forma o professor tinha que ter realmente uma competência específica, mas o caráter que se dá hoje para a palavra “competências”, como um processo transformador, criativo e educativo e responsável pela autonomia do indivíduo, não quer dizer que um bom professor, é aquele que sabe pesquisar e refletir, mas sim porque é “competente no campo de vista ético e político.
Culpar o professor exclusivamente pelo fracasso escolar, por sua falta de competência, é uma ideologia propagada pelo governo que não assume as suas responsabilidades e seu tremendo descaso pelas propostas sociais, não só pela educação, mas de todos os benefícios que deveriam funcionar com perfeição para estabelecer a cidadania. Fracassou em todos os campos, da ética em que se vê o descrédito no discurso político. No compromisso político para formar os cidadãos porque as escolas se encontram num verdadeiro caos e finalmente na moral, na falta de credibilidade de gerenciamento e tratamento inadequado para as políticas públicas brasileiras dirigidas ao cidadão, que realmente precisa ser recompensado por tanto sofrimento. Culpar o professor é a forma mais fácil de evitar explicar onde realmente estão as falhas do Estado, na falta de administração e vontade de conceber o direito ao homem de conquistar sua liberdade.

CONCLUSÃO
A competência do ensino ético para Paulo Freire, baseava-se numa pedagogia libertadora do ser oprimido para construir o ser humano através do diálogo e a conscientização de que sua condição social e cultural insatisfatória a sua existência no momento atual é resultado do conformismo de quem vive preso a um passado histórico alienador. Transformar esse sujeito de forma que promova sua inserção no movimento dialético epistemológico, como este sendo o objetivo da educação e não como objeto, e que somente a luta pela igualdade, fundamentada para superar as amarras do egoísmo, dos interesses pessoais, poderia absorvê-lo da opressão inconscientemente. Promover alteridade é promover o sujeito colocar-se no lugar do outros e sentir-se como o outro se sente, para que perceba que os homens não precisam apenas da solidariedade dos momentos funestos, das catástrofes. O homem não quer apenas a compaixão do sentimento de amor pela humanidade positivista, ele quer pertencer, partilhar e desfrutar de todos os anseios e benefícios da cidadania.
Só podemos transformar uma sociedade, se formos éticos, agindo com lisura, responsabilidade, nas ações libertadoras, em prol dos excluídos e oprimidos, ratificando ser imprescindível a ética, porque a justiça só se concretiza dentro de uma sociedade justa, onde os paradigmas devem ser alicerçados e depois trabalhados nessa direção durante a formação de suas bases políticas, sociais, culturais, para que todos os indivíduos tenham autonomia sócio-política-econômica. A educação-ética é um processo de libertação política que visa à construção de uma sociedade democrática, elaborada por projetos-políticos-pedagógicos capazes de gerar libertação. É preciso que seja delineado com competência nas bases firmes da moral e ética e principalmente, elaborados pelos que detêm saber e não poder.
A liberdade é o ponto central na concepção educativa de Paulo Freire para proliferar o humanismo. Este consiste na justiça para todos. O sujeito objetiva a sua ação, através da sua subjetividade, sujeito de si, com liberdade, consciência e responsabilidade. A libertação proposta por Freire significa um corte com a lógica imperialista capitalista em que se valoriza mais o “ter” (que é o não-ser) do que o “ser” (o ser em si). Este ser, simplesmente ser, é a vítima inocente e inconsciente da mistificação político pedagógica das elites a que está submetido.
É de responsabilidade ética rigorosa do educador, condenar o cinismo e não permitir a exploração sobre a força de trabalho do ser humano. Negar-se a iludir o incauto ou golpear os fracos e os indefesos, principalmente condenando ou acusando alguém, apenas por ouvir dizer e nunca permitir que seja falseada a verdade. Proibido soterrar o sonho e a utopia, porque tudo que antes era considerado uma ilusão, como o telefone, o cinema, o homem ir a lua etc. também foram histórias de ficção no passado, e hoje são realidades tão comuns que nem se percebe como foi importante para a construção da nossa história. Não deixar testemunhar ou prometer mentirosamente. Denunciar a perversão hipócrita revestida de puritanismo. Não permitir manifestações discriminatórias de raça, gênero e classe. Não deixar os interesses pessoais serem os grilhões amargos do egoísmo, principalmente sobre aqueles que não possuem consciência do seu direito de liberdade do “ser” , por um sistema que condiciona e oprime a “não-ser”. A educação nunca pode ser neutra, mas sim um ato pedagógico político transformador da sociedade. Um ato ético de justiça tendo como fim a liberdade pessoal. O educador deve assumir seu papel de formador e com competência para administrar e difundir dentro o espaço escolar a democracia, senão jamais atingiremos uma sociedade construída por cidadãos pela liberdade e autonomia, rompendo com a história mundial de opressão e dominação. Edificar das ruínas, no homem pós-moderno, um compromisso ético-político-educativo pela prática da justiça, transformando o mundo num lugar ideal de vida para todos. Não se pode pensar o ato pedagógico como uma ação neutra, mas sim uma verbalização profundamente consciente e competente, sem repressão, sem omissão, anti-marginalizador e não excluente, pela prática ética libertadora, inclusive da própria libertação. O educador tem que romper com a alienação do sujeito através de uma práxis libertária de forma que o educando compreenda a crueldade da sua realidade. Através da dialética a educação política deve seguir para aprendizagem da reflexão do senso crítico para conseguir transformar todos os seres humanos em cidadãos, cônscio dos seus direitos e deveres, comprometidos eticamente com a liberdade, com a responsabilidade libertadora.
Ao educador é necessário formação eclética: competência ética, científica, cultural, política para desvendar os olhos dos menos privilegiados para as ideologias anti-éticas, ou seja, qualquer política que aliena, oculta, mistifica a realidade e contra a natureza antropológica do ser humano, como a liberdade que tenta vislumbrar e enganar o neoliberalismo mercadológico, sem compromisso responsável pela libertação política de toda e qualquer forma de repressão. A educação, ao longo de décadas tem sido perversa, e pervertido as relações humanas, condenando as classes trabalhadoras ao conformismo e alienação, por ser essa a lógica do sistema capitalista. O sistema centro-europeu e da periferia, agem com injustiça e faz mergulhar a dignidade e a liberdade do ser humano no ostracismo por isso a educação sistematizada é a responsável pela substância da consciência humana, portanto, promover o filosofar e idealizar um novo patrimônio educativo no homem, é sumamente preciso.
Os administradores do ensino, decidiram pela qualificação do professor através do ensino de nível superior, como se isso fosse a solução final para os problemas educacionais. A priori, deveria ser constante o investimento em recursos humanos e cursos de capacitação inovadores e que o docente fosse amparado diariamente pela ação social desenvolvida em prol de resultados mais significativos e produtivos para o trabalho educativo, pois o indivíduo se gradua, porém depois mais nada é acrescentado aos seus conhecimentos, ficam congelados no tempo, sem o apoio governamental que invista permanentemente no profissional e a proposta de formação universitária, não tem realmente intenção no ato de ensinar de forma atualizada e dinâmica.
Para Freire (p. 144), ensinar não se restringe apenas em transmitir conhecimento de forma bancária, para um sujeito passivo. Baseia-se em relações, tais como: - gnosiológica, “relação comunicativa entre sujeitos cognoscentes, em torno do objeto cognoscível”. – a lógica, como base de todo ato de pensar, que “exige um sujeito que pensa, e um objeto a ser pensado. A comunicação ocorre por determinação das normas sociais, simbolizadas pelos signos lingüísticos, para dar significado ao significante, pela relação dialógica da cultura, num processo em que todos ensinam e todos aprendem através de pesquisa, e o ato de educar é uma ação produtiva de conhecimentos.
Freire enfatiza (p.146), que educar é proporcionar autonomia, conscientização do que é liberdade e igualdade. Baseado em seus conceitos, Gadotti (1996), com racionalidade, propõe a OFICINA PEDAGÓGICA (lugar de trabalho), com a utilização da teoria-prática-pesquisa para revolucionar o ensino e com três dimensões: aprendizagem de conhecimentos científicos, despertando a criatividade e politizar o indivíduo, objetivando a emancipação humana com o próprio sujeito participando da construção da sua aprendizagem, através de processo dialético, reflexivo, fazendo com que cada ser humano conheça seus limites e possibilidades e apreenda o domínio de um ofício, possibilitando uma educação para que todos alcance cidadania:
- a investigação temática, pela qual aluno e professor buscam, no universo vocabular do aluno e da sociedade onde ele vive, as palavras e temas centrais de sua biografia;
a) a tematização, pela qual eles codificam e decodificam esses temas; ambos buscam seu significado social, tomando assim consciência do mundo vivido; e

b) a problematização, na qual eles buscam superar uma primeira visão mágica por uma visão crítica, partindo para a transformação do contexto vivido. (p. 146).
Uma proposta de formação deve ser baseada no respeito pelos diferentes contextos culturais, regionais, econômicos, sociais e político, porque são esses pressupostos que fundamentam a ética. O intuito de transformar, reconstruir e aprimorar conhecimentos, compreender as diferenças, é uma metodologia retirada da obra de Paulo Freire, para formar professores, denominada de “educação problematizadora”, que leva o discente a refletir sobre a realidade e suas contradições e o professor o conduz a uma reflexão crítica para identificar o que seria o ideal. Essa ideologia também consta na pedagogia das competências do MEC, embora muito limitada na perspectiva técnico-metodológica. A “pedagogia-democrática”, não permite que o sujeito permaneça alienado ao sistema das sociedades burguesas. Daí a importância dada ao professor preparado, que respeita e mantém sempre viva a tradição cultural, zelando para que no futuro não se repita os erros do passado. Manter a hegemonia entre os educadores é promover comunicação, valorizar a cultura e autonomia para os docentes e seus alunos. O incentivo a auto-elaboração por grupos de professores, na busca do aprimoramento de sua formação cultural, intelectual é gratificante para todos porque sua opção pelo magistério foi por vocação. O fato é que, está ocorrendo a escolha para esse exercício por outros motivos e isso está causando prejuízo para a imagem do educador, não permitindo que se processe suas exigências, em relação a melhorias de salários e outras regalias. Caí seu prestígio e também é discriminado, isso vem abalando a categoria, por conta de irresponsabilidades praticadas por incompetentes que se denominam professor. O enfoque pelo despertar das competências, como elemento primordial da educação, faz nascer uma nova preocupação para as escolas. Hoje o ensino não é cobrado apenas para trabalhar a cognição do sujeito, mas também para orientar o seu procedimento diante da vida, da sociedade e isso abrange todas as dimensões, incluindo o mercado de trabalho. Dessa forma a metodologia de ensino não pode ser fragmentada, mas sim, promover a formação global do indivíduo de maneira democrática e não formal. O predomínio da prática sobre a teoria, é necessário, porque é mais fácil se chegar ao conhecimento através da vivência realista e promover a integração de conhecimentos, porque cultura não é só saber comunicar-se na escola, na comunidade, mas a refletir coletivamente, criar um referencial para solucionar problemas e conquistar a autonomia. Segundo Ferreira (p. 157), a oficina pedagógica, é a realização da prática; um espaço de criação, invenção e de descobrir alternativas; fabricar conhecimentos, inventar, produzir, consertar, criar estratégias, experimentos, comprovar fatos etc. Quanto aos fundamentos pedagógicos, é uma proposta técnico-metodológica e fundamental para a socializar, participar, cooperar, criar, integrar de forma interdisciplinar que beneficiará a formação científica e ética; a valorização cultural, social, físico e histórico do homem, contribuindo em vários fatores como, a humanização, coerência, flexibilidade pelo respeito à diferença do outro, ampliar a cultura, fortalecer a comunicação lingüística-cognitiva, desenvolver novos conhecimentos, autonomia e finalmente, fazer florescer a criatividade e as competências diante do conhecimento de mundo. Um dos conceitos de competências, refere-se ao pessoal-interpessoal, é efetivada através da cooperação mútua, do diálogo, comunicação entre os seres humanos e na perpetuação da aprendizagem e retransmissão do patrimônio cultural numa interação pelos indivíduos de proteger a história de uma sociedade que se efetiva de várias formas: - O aprender a ser (compreensão de si para entender o outro) - O aprender a conhecer: (capacidade de compreensão do ambiente em que vive e autonomia para discernir). – O aprender a fazer (saber por em prática, o que aprendeu) – E o aprender a viver junto (quando desenvolve a interação grupal. As relações entre as pessoas é muito importante pois o coletivo rompe com a educação tradicional, derruba preconceitos e discriminação, aprimora o individual e profissional pelas relações sociais e assume responsabilidades partilhadas e o respeito pelo outro). Dentro do critério técnico-metodológico, vários profissionais atuam nas relações humanas, entre eles está o professor. Esse mobiliza múltiplos recursos para orientar o agir educativo e profissional, tendo por meta a emancipação do sujeito. O aspecto, sócio-comunicativo, é baseado nas relações sociais e voltado para o desenvolvimento da consciência crítica, para a evolução da emancipação humana. No ato do diálogo, saber falar, como também ouvir, ocorre construções e reconstruções que desenvolve as competências cognitiva e comunicação racional. O Histórico-cultural, ligado as normas e padrões da sociedade e do seu patrimônio histórico e cultural, fundamenta as relações, as técnicas e a forma de comunicação entre as pessoas. Paulo Freire “define a educação como “intervenção no mundo”, educação cultural e histórica”. O respeito pela diversidade cultural é um trabalho muito bem elaborado dentro da escola e tem como função, polarizar a cultura popular. (p. 173) A educação multicultural, deve proporcionar uma gama de conhecimentos e habilidades, interagir com as outras culturas e atender a multiplicidade cultural, no caso, do professor Amazônico, que tem ao seu redor diferentes grupos étnicos indígenas, como também uma grande população imigrante vindo de todas as partes do país e que deve se levar sempre em conta o tempo, o espaço e temas específicos. Faz parte do trabalho escolar essa ponte para internalizar no aluno a auto-estima, auto-imagem e auto-confiança; partilhar conhecimentos, valores culturais e renegar os preconceitos; transmitir a herança multicultural e promover o convívio mútuo. Conhecer e aprender a conviver com as diversidades; valorizar, as capacidades especificas e diversificadas, favorecer ao desenvolvimento das competências múltiplas, solucionar e evitar conflitos, promovendo, a compatibilidade, afetividade e cidadania. É preciso criar estratégias curriculares que valorizem a integração dos alunos em todos os aspectos, históricos, culturais, lingüísticos etc, utilizando material didático-pedagógico multicultural para desenvolver autonomia nos alunos, através de elaboração de projetos escolares coletivos, de parceria com entidades sociais, culturais ou políticas, pesquisa-ação, ou para estabelecer a relação entre teoria-pesquisa-prática , oficinas pedagógicas, cuja base estrutural é a reflexão e finalmente a gestão de currículos para promover o patrimônio cultural, a democracia e cidadania. Hoje o papel do professor é muito representativo dentro de uma sociedade, desde que esse seja um sujeito de consciência crítica, reflexiva e se predisponha a formar cidadãos, acompanhado as mudanças e que valorize a autonomia do cidadão e a defesa de seu patrimônio cultural . Um homem dotado de responsabilidade e competências, capaz de construir o conhecimento, sendo essa formação baseada na reflexão racional, efetiva, uma educação plena, crítica, democrática, ética e cidadã. Um paradigma no modo de educar, agir e ensinar, um referencial para formular conceitos através da reflexão e que a sua forma de ser, deve se tornar um projeto de pesquisa, que abranja toda a sociedade e através da investigação elaborar o perfil do verdadeiro educador e que sua prática se torne um exemplo na formação dos educadores Hoje a prática docente deve ser reflexiva, visando desenvolver o ser humano em sua totalidade para empreender atitudes baseadas na construção de valores, afetividade e no humanismo, porque ao longo dos tempos, a educação tornou-se uma cultura alienada aos fatores dominantes. O professor, o canal a serviço da pedagogia tradicional, um ensino obsoleto, e depois tecnicista. Desempenhava sempre papel passivo, apático e por isso o seu prestígio desmoronou. Apenas um transmissor de conhecimentos sem uma proposta política que contemplasse os alunos com uma formação para o desenvolvimento cognitivo, não se importando na produção de saber e guiá-los para uma conduta ética e moral em busca da autonomia, formava apenas seres acríticos e alienados perante as crises sociais, comprometendo o processo do ensino-aprendizagem. Urge reformular esse contexto, mudanças na formação dos professores para torná-los geradores do seu próprio conhecimento, pesquisadores e reflexivos da própria prática, para reconstruírem a forma de pensar, capaz de planejar e intervir com uma nova dinâmica. Um novo profissional politizado, para educar e adicionar as pessoas desde os valores físicos, morais e intelectuais dos saberes cognitivos, capazes de estabelecer seus próprios conceitos, criticar e administrar a sua própria vida. Essa é finalidade real da Educação, construir o cidadão com aptidões e finalidades. Outra função importante para esse novo tipo de educador: gestão da classe com competência. Saber realizar todas as funções pedagógicas, desde o estabelecimento de regras, atividades, atitudes diante das situações que se apresentem etc. Agir com democracia, criatividade, autonomia, podendo ele próprio elaborar as propostas de ensino com técnica própria. Sua prática didática-pedagógica dirigida a adequar o currículo a um planejamento que julgar viável a sua aplicação, relevando a importância e obediência aos princípios morais, democráticos, atitudes éticas que valorizam o ensino pela garantia da cidadania, ato político, porque envolve as relações de poder e que legitima os princípios éticos contra a servidão. A postura do professor tem que basear-se em atitudes compatíveis com as obrigações da prática docente das tendências contemporâneas em busca do conhecimento científico, compromisso profissional e ético, baseado na formação humana, Saber unir a teoria com a prática, porque essa é mais breve forma de se chegar ao conhecimento. Através da ação, se constrói o conhecimento de forma concreta e integral. Na atualidade há uma preocupação benéfica por parte das instituições de ensino do país, em pesquisar as multiformas para aprimorar os cursos de licenciatura, Pedagogia, Normal Superior etc, na formação de docentes para dotados de variados saberes e qualificados de maneira competente e que mobilizem a educação para o pensamento reflexivo através da pesquisa, de uma formação mais abrangente, em aspectos importantes de conhecimento nível social, político e científico e principalmente o conceito da auto-avaliação e reflexão sobre a atitude da sua conduta docente É a partir de uma nova produção na graduação, com novos critérios éticos, epistemológicos, didáticos e uma pedagogia renovada baseada na concretude que proporcionaram novos benefícios na proposição do ensino, impedindo a alienação, humanizando e orientando os discentes para dar sentido e significado para a sua existência. Viver o presente e futuro com dignidade e igualdade. A reflexão é o conceito principal na formação dos professores. É a consciência do sujeito racional e intelectual, fundamental para o processo formativo e principalmente o posicionamento dele diante das adversidades da vida e se disponibilizar para trabalhar pelo resgate da dignidade do discente e não se deixar também se tornar uma das vítimas do sistema positivista alienador, sabendo interpretar o mundo de forma transparente O conceito da palavra competência, dentro da Educação, há uma certa dificuldade para se definir o termo. Seria uma “noção geral” (apud/GHEDIN. 2005, p. 14) “Idéia de comunicação em rede e integração de funções” (idem). Mas na realidade essa palavra dentro da cientificidade é “uma teia de relação entre saber, saber fazer e saber-ser” (idem, p. 15. Enfim, competência é possuir uma gama de conhecimentos gerais, e em particular, com os sociais, que envolvem os valores, idéias e crenças culturais. Exige várias competências, como: saberes eruditos de conhecimento, experiência, habilidade, resolver situações-problemas, saber planejar e desenvolver projetos, dirimir, improvisar, saber avaliar, conceituar, disciplinar sem repressão e principalmente formar cidadãos autônomos, administrando a docência, com ética. Durante longos anos a pedagogia teve um falso conceito para competência centrada apenas na aquisição de conhecimentos, através de uma educação bancária; Oposição entre competência e desempenho e na concepção clássica que considera competência, como uma faculdade genérica, uma potencialidade de qualquer mente humana. Para ele a competência é saber resolver problemas corretamente através da prática, baseada na teoria. É impossível se inferir a competência, mas essa não existe sem o conhecimento que é o ponto de partida para a reflexão e que determina a ação. O enfoque dado pelas políticas públicas, quando foi instituída, sobre a necessidade de ser edificada na educação as competências no processo formativo, surge durante o governo de Fernando Henrique Cardoso e possuíam um caráter tecnicista, dessa forma o professor tinha que ter realmente uma competência específica, mas o caráter que se dá hoje para a palavra “competências”, como um processo transformador, criativo e educativo e responsável pela autonomia do indivíduo, não quer dizer que um bom professor, é aquele que sabe pesquisar e refletir, mas sim porque é “competente no campo de vista ético e político. Culpar o professor exclusivamente pelo fracasso escolar, por sua falta de competência, é uma ideologia propagada pelo governo que não assume as suas responsabilidades e seu tremendo descaso pelas propostas sociais, não só pela educação, mas de todos os benefícios que deveriam funcionar com perfeição para estabelecer a cidadania. Fracassou em todos os campos, da ética em que se vê o descrédito no discurso político. No compromisso político para formar os cidadãos porque as escolas se encontram num verdadeiro caos e finalmente na moral, na falta de credibilidade de gerenciamento e tratamento inadequado para as políticas públicas brasileiras dirigidas ao cidadão, que realmente precisa ser recompensado por tanto sofrimento. Culpar o professor é a forma mais fácil de evitar explicar onde realmente estão as falhas do Estado, na falta de administração e vontade de conceber o direito ao homem de conquistar sua liberdade.

GHEDIN, Evandro. ALMEIDA, Neylanne Aracelli de. BARRADAS, Raimundo de Jesus Teixeira. Ética e Formação Profissional em Educação. UEA – Pós-Graduação em Pesquisas Educacionais. LIVRO 4. BK Editora: AM, Livro 4. 2005.

SILVA, Adelmo José da. Departamento das Filosofias e Métodos – FUNREI. ANAIS DA FILOSOFIA. REVISTA DE PÓS-GRADUAÇÃO. Fundação de Ensino Superior de São João Del Rei - MG – Nº. 8 - 1. Filosofia / Periódico – Julho de 2001, p. 45 a 56.
CHINAZZO, Cosme Luiz. Filosofia da Educação. ULBRA: Canoas/RS. 2004.
PELOSI, Marly Sauan. Filosofia da Educação. EAD. Pós-Graduação a Distância. Coordenação Pedagógica. UFRRJ/Instituto de Educação.EB. RJ, 2005.
RIOS, Terezinha Azeredo Rios. Ética e competência. Questões da nossa época. Vol. 16. 15 ed. Cortez: SP, 2005.
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