sábado, 13 de setembro de 2008

PROJETO: A IMPORTÂNCIA DA NARRATIVA






Autor: Maria de Deus Oliveira de Siqueira Alves


INTRODUÇÃO

Desde o nascimento somos estimulados a falar e por esse motivo narrar os fatos pela oralidade sempre acontece de forma mais prática e criativa do que por intermédio da escrita. A fala é o principal e mais fácil meio de comunicação entre os falantes de uma mesma língua e não obriga o uso de uma linguagem formal. Mesmo que o indivíduo não saiba ler ele se comunica com qualquer pessoa. A narrativa é uma arte milenar e antes de surgir os símbolos a história mundial foi narrada por meio de músicas, encenações, discursos, monólogos, diálogos etc. Com o surgimento dos signos a história passa a ser narrada com mais veracidade de fatos e registrados para a eternidade com maior precisão. Muitos eventos que aconteceram antes do advento da escrita, em sua maioria são considerados como lendas por não serem comprovados com os registros grafados. Foram criadas em torno dessas odisséias muitas dúvidas sobre seu real crédito. Narrada apenas pelo ouvir falar, retransmitidos pelo boca a boca e nas mais variadas versões, não se sabe se os créditos dados são justos ou do imaginário. As aventuras vividas pelos homens desde o tempo da idade da pedra e que formaram o patrimônio da história universal é muito importante para os seguimentos da sociedade de hoje e certamente tem credibilidade pelas marcas deixadas, pesquisadas, conferidas e narradas pela antropologia e que dão certificado de confiabilidade para a humanidade. A partir dos três anos de idade e estimulados pelo ambiente, já somos capazes de narrar os fatos que vivenciamos. Diariamente narramos através do diálogo. Esse importante instrumento narrativo, é utilizado desde as séries inicias até a universidade, portanto, a narrativa ser uma das principais culturas de estudo da língua que se fala. Um dos melhores artífices para desenvolver a capacidade cognitiva, porque ela envolve vários procedimentos e exercícios essenciais a sua elaboração com perfeição, como: muita leitura, interpretação de textos, pesquisa, produção textual etc., e todo o aprendizado das dimensões semânticas, pragmáticas e da sintaxe. Concatena as idéias de forma ordenada, concreta e reflexiva. Estabelece uma comunicação clara e objetiva. Facilita a aprendizagem, tanto da linguagem informal, espontânea ou coloquial, como também das normas da linguagem culta ou formal. PROBLEMA A crise no sistema brasileiro educacional é vista a partir do baixo nível do desempenho de linguagem pelos estudantes que não conseguem abstrair a mensagem dos autores e formular idéias, expressar seu pensamento e interpretar de forma clara e objetiva. Na era da comunicação o fracasso escolar destaca-se cada vez mais através dos tempos, principalmente no ensino/aprendizagem da língua portuguesa, salvo uma elite de privilegiados. Uma minoria tem domínio e articulam com perfeição a oralidade e dominam a escrita. O problema encontra-se arraigado em quase todo o país. Verifica-se que os onze anos de aprendizado e em muitos casos, em um mais alto nível de graduação, os estudantes não estão capacitados para a linguagem formal e que obedeça aos padrões da norma culta, pela falta da orientação básica, das dimensões semântica, pragmática e sintática. A ausência do exercício da leitura que promove o desenvolvimento da criatividade, percepção crítica e analítica do pensamento, simplesmente foi abandonada, gerando severas dificuldades para a comunicação coletiva. A educação é relevada a um segundo plano pela inércia administrativa. Professores mal remunerados, verbas escassas para escolas e o desinteresse é generalizado, entre escolas, mestres, alunos e a sociedade. Haverá progressos se houver uma tomada de decisão política em torno do assunto, porque afinal não há sentido, desde que o sujeito freqüenta a escola durante tantos anos e não apreende o domínio sobre falar e escrever corretamente a própria língua mãe. Quando isso ocorrerá?

QUESTÕES NORTEADORAS
1ª) Qual a melhor técnica e/ou procedimentos para se elaborar uma boa leitura interpretativa e reflexiva, com o objetivo de escrever uma narrativa que pontue com clareza, coerência e ordem estilística? 2ª) É considerado produtivo para a aprendizagem da língua portuguesa, elaborar o ensino de forma contextualizada, e só após o término da produção textual da narrativa, abstrair e aplicar o estudo da metalinguagem? 3ª) O exercício consecutivo da leitura e interpretação de textos, quando o leitor interage com os autores, compreende e assimila os conteúdos das obras, podem formar alunos com reflexão crítica, objetividade e discernimento?

JUSTIFICATIVA

A passagem de escolaridade dos alunos da 8ª série para o ensino médio, marca uma fase muito importante em sua vida na qual devem ser acrescentadas novas experiências e maiores responsabilidades. Diversos são os anseios dos estudantes, no entanto, às dificuldades diante da leitura encontra-se de forma generalizada, porque ler corretamente, interpretar, descrever e discorrer sobre textos e fatos com problemas mais complexos e que envolvem diversos novos contingentes sociais, culturais, ambientais etc., torna-se muitas vezes impossível porque exige exercício de estudo para a criação. Cabe a escola explorar a motivação, canalizar intenções, estimular a criatividade para a desenvoltura da oralidade e escrita, preparando o jovem para compreensão e o gosto pela diversidade da leitura. Preparar para escrever ou falar com coerência e objetividade. Ajudar o aluno a refletir sobre a realidade e principalmente alertar para os conteúdos das mensagens que detêm ponto de vista dominador. Orientar para expressar seus sentimentos e idéias, com lucidez, e espírito crítico. Valorizar a comunidade em que vive, solidário entre os vizinhos e companheiros de linguagem direta. A crise da escola sobre a arte de escrever, precisa de um projeto educativo de formação, elaborado para o desenvolvimento aprimorado de uma das culturas de estudo mais importantes no processo de aprendizado da escrita e da fala. Não exclusivamente para uma única série, mas para todas, chama-se, A Narrativa, que exige da exposição falada ou escrita, uma observação fenomenológica para a contextualização histórica, abstraída e revelada com verdade e clareza, através das dimensões semântica, pragmática e gramatical. É um modelo de exercício dinâmico e prático para a aprendizagem de se expressar bem, seja de forma escrita ou verbal. Bem conduzido promoverá a inclusão dos aprendizes ao chamado grupo de elite: O Leitor e Escritor.

OBJETIVOS OBJETIVO GERAL

Compreender a importância do emprego efetivo da narrativa no processo formativo dos alunos da 8ª série, garantindo um melhor desempenho no desenvolvimento do conhecimento cognitivo e explorar a criatividade para a produção eficiente da escrita e fala.
Objetivos específicos:
Entender a importância e necessidade em praticar a pesquisa e a leitura para melhorar o desempenho na comunicação. Contemplar a elaboração dos trabalhos através da utilização da dimensão semântica. Auxiliar aos alunos na observação das exigências da dimensão pragmática para elaborar as atividades da narrativa com maior acuidade. Verificar a pontualidade da dimensão sintática para que haja uma interação perfeita entre emissor e receptador. Socializar as produções e avaliar todo o processo de construção até a finalização dos resultados.

UNIDADE I –

SEMÂNTICA: 1ª) Leitura: 1.1 Busca de informações: O quê? Onde? Como? Quando? Por quê? 1.2 Estudo do texto - Antítese 1.3 Pretexto 1.4 Fruição de texto – Interdisciplinaridade 1.1) Releitura 1.1.1 Elaboração de fichamento 1.1.2 Elaboração de resumo 1.1.3 Elaboração do texto. UNIDADE II –

DIMENSÃO PRAGMÁTICA 2ª) Estrutura textual – Coerência 2.1 Respostas às questões: quem? O quê? Quando? Onde? Como? Por quê? 2.2 Seqüência: Princípio meio e fim. 2.3 Obedecer à ordem estilística: Clareza; objetividade; fidelidade aos fatos. 2.4 Viabilidade do texto. UNIDADE III –

DIMENSÃO GRAMATICAL 3ª) Estrutura sintática – Coesão 3.1 Concordância verbal (Anti-gerundismo) 3.2 Concordância nominal 3.3 Regência 3.1) Morfologia 3.1.1 Léxico 3.1.2 Conjugação verbal 3.1.3 Número e grau 3.2) Fonológica 3.2.1 Ortografia 3.2.2 Acentuação 3.2.3 Divisão silábica 3.2.4 Parágrafos.

UNIDADE IV -

4.1 Narração: Narrar na primeira ou na terceira pessoa. 4.2 Socializar o texto : música, coreografia, encenação, narração oral, narração escrita, escrever textos na forma coloquial e formal. 4.3 Avaliar: avaliação pelos alunos da sala de aula; auto-avaliação do aluno; avaliação do professor ao aluno e auto-avaliação do professor.

EMBAZAMENTO TEÓRICO

A língua é expressão cultural de um povo que evolui com sua historicidade. Os espaços e tempos dentro da estrutura social são determinantes para as variações que ocorrem na linguagem, tanto oral como escrita. O estudo e o respeito a essas diferenças do emprego da linguagem é estudado pela lingüística. A linguagem é formada por sistemas de sinais convencionados para a expressão escrita e falada de uma língua e a sua dimensão têm uma característica mais política e social do que gramatical, por ser um bem público e só existir porque houve um contrato coletivo entre as pessoas para adota-la como seu meio de comunicação. Para Descartes “Não existe erro, mas sim, falta de conhecimento” e de acordo com essa citação, apenas os grupos de elites no Brasil conseguem elaborar uma linguagem formal correta. Àqueles que dispõem de uma boa condição fisiológica e que puderam desenvolver mais inteligência, competências e habilidades. A disparidade aumenta devido à maioria dos professores obsoletos que ainda obedecem aos paradigmas das escolas tradicionais não encarando esses problemas num plano social. Essa falta de compreensão continua no pressuposto de que o aluno é o objeto e não o objetivo da educação tem causado muitos transtornos para o sentido do que é “Educação”. Outro aspecto a ser verificado é a opção de escolha. Para que o aluno processe uma boa leitura é preciso que ele tenha prazer, e ler o que gosta. Os textos devem ser leves e de fácil compreensão, adequado à idade do aluno e lembrar que o autoritarismo faz parte da burocracia determinada pelo poder. O aprendizado depende da didática e metodologia do professor baseada na visão da pedagogia libertária. Para Faraco (apud/GERALDI/1984, p. 17) certas atividades rotineiras do ensino tradicional são negativas para aprendizagem, e que ele denomina de: “As sete pragas do ensino de português”. Exemplos: a leitura não compreensiva, textos chatos, redações tortura, gramática confusa, conteúdos pragmáticos inúteis, estratégias inadequadas e a literatura-biografia que teve seu objetivo invertido, em vez de captar e trabalhar as idéias dos autores, aprende-se a biografia. A valorizar o ensino da metalinguagem em detrimento da abstração e criatividade. É uma obstrução para a expansão das idéias. A falta de exercício e do bom hábito de leitura, principalmente na utilização errada da pontuação do texto, não permite ao sujeito interpretar e analisar corretamente e criticamente por falta de cultura geral, gerado pela escolha de textos ultrapassados que não despertam interesses e nem faz parte do contexto do aprendiz. As redações se tornam uma tortura para o aluno quando o professor normalmente delimita o tema ou quando permite o livre arbítrio do aluno, mas não orienta para os objetivos: seqüência correta e o alerta para a busca de conteúdos interessantes. O aprendiz normalmente sai da escola sem nem mesmo saber preencher um simples formulário que requer discernimento. O ensino isolado da gramática torna confuso e ineficiente a aprendizagem gramatical aplicada na práxis e que leva o aluno a uma tremenda confusão na hora de elaborar um texto. Primeiro é preciso que ele aprenda a se comunicar, expressar sua criação cognitiva para que depois aprenda a função de cada palavra dentro das orações. O importante é desenvolver no aluno a capacidade de descrever, discorrer e discernir. Perde-se tempo com os conteúdos pragmáticos inúteis no ensino da língua quando é dirigido apenas para decodificação gramatical e não para a necessidade do uso da palavra, exemplo: as preposições. O aluno é obrigado a decorar todas elas, no entanto, não se explica o porquê da necessidade de seu uso. São estratégias inadequadas, uma completa contradição na metodologia aplicada pela má interpretação do professor na utilização do construir. Outra contradição é não apontar os erros gráficos do aluno como isso fosse uma prática antipedagógica, no entanto, aplica exercícios cheios de erros para serem corrigidos. Ainda hoje o maior pecado é o estudo através de longas listas, como: plurais, sinônimos, prefixos, sufixos etc., sem contextualizar o ensino. As conseqüências são drásticas pela insegurança que promove entre os falantes. Ocorrem discussões em torno de temas diversos e adotar uma gramatiquice que favoreça a assimilação da aprendizagem, como a retirada do ch e/ou ç e outros O ensino sistematizado encontrar-se totalmente defasado diante do conteúdo pragmático e o desperdício de tempo na aprendizagem do estudo semântico. A aprendizagem de palavras inúteis, domínios de formas arcaicas como a mesóclise etc., que não são normalmente utilizadas no dia-a-dia, obsoletas, criando uma falsa idéia do que realmente é importante para a linguagem, falar e escrever corretamente. O que não é mais utilizado é perda de tempo explorar-se os conteúdos. É preciso que seja feita a distinção entre os desvios das normas dos falantes, decorrentes da ignorância, os chamados vícios de linguagem (erros), das figuras de linguagem que são desvios das normas, como por exemplo, a repetição de um pronome oblíquo, numa intenção deliberada para reforçar a mensagem e torná-la mais original, Neste caso é chamado de pleonasmo e nos demais casos também são intencionais para realçar a expressão da mensagem escrita ou falada. A gramática da Língua Portuguesa é muito difícil de assimilação e por esse motivo é preciso ser ensinada da maneira mais prática possível, incorporada e contextualizada na linguagem literária e depois compreendida por partes, principalmente a ortografia, como as coisas mais básicas e que são verdadeiros desafios ao entendimento, exemplo: os porquês, por isso, há, a, acerca, sob, abaixo e muitos outros. É preciso se repensar na elaboração do currículo e a correta aplicação do ensino da língua portuguesa, porque o que está em jogo é a comunicação entre os homens e só haverá benefício ao diálogo, se a compreensão e aprendizagem for internalizada corretamente por toda coletividade. A autora (GEBARA, 1980, p. 12) especula: “Em que a lingüística pode ajudar no ensino de língua materna”? Ela cogita que a formação acadêmica do professor é importante para que este tenha ciência dos procedimentos e análise de fatos lingüísticos, dentro da ciência lingüística, para interpretar os fenômenos lingüísticos, suas características, funções e estruturas que são refletidos sobre os hábitos criados em cima da linguagem. Há um complexo de variantes e que não existem superioridades de uma variante sobre outra. O que deve existir é uma atitude de tolerância por parte do professor em relação aos diversos dialetos trazidos para sala de aula pelos alunos. Não desqualificar a fala do aluno em detrimento da língua formal e que só deve ser cobrada a elaboração da língua culta, com total clareza, quando este se encontra no terceiro grau de aprendizagem. O que é necessário é a noção dos signos, porque a lingüística é o pilar de sustentação para o conhecimento das outras ciências. É necessário que exista o respeito pelas crenças e pela fala nativa. A compreensão e respeito pelas variedades lingüísticas fazem-se necessários, pois são elaboradas por meio de uma construção social entre os diversos grupos sociais humanos. O papel do professor dentro da instituição não pode ser de ditador, aquele pratica a violência simbólica, silenciando os detentores dos dialetos em detrimento da linguagem utilizada pelos dominantes. Precisa apoiar os critérios estabelecidos pelas normas gramaticais de clareza e estética, porém, não pode desprestigiar os dialetos dos outros grupos sociais, valorizando apenas a gramática formativa. No papel de professor não se pode coibir o uso dos diversos dialetos em detrimento exclusivo de significantes e significados já pré-determinados pelo currículo eletista. Para Posseti, (1993) a conceituação gramatical está imbricada as questões políticas que formaliza um conjunto de regras lingüísticas. A palavra gramática significa um conjunto de regras que devem ser seguidas para se falar e escrever corretamente, preocupando-se mais como deve ser dito e escrito. Excludente em alto grau tanto para as variações na forma oral como na escrita e o preconceito chega a ser escandaloso contra as gramáticas populares porque só valoriza a língua do Estado. Baseia-se na comunidade para construção dos modelos e seu estudo é elaborado pela sócio-lingüística e não pela própria lingüística. Não acatam a evolução da língua pelo aspecto histórico e das razões sociais que provocam essas mudanças. Consideram essas ocorrências independentes de fatores extralingüísticos e das reais relações entre os falantes que as promovem. Num segundo momento a gramática é um conjunto de regras que um cientista dos fatos da linguagem estuda através de teoria e métodos, as leis que regem a estrutura real de enunciados produzidos por falantes, não importando se o emprego de determinada expressão lingüística é positiva ou negativa para essa comunidade falante de uma mesma língua. Preocupa-se exclusivamente como se fala corretamente e tem um cunho político na construção da delimitação do objeto que varia de acordo com as modificações geradas pelos fenômenos sociais. Num terceiro plano a palavra gramática designa um conjunto de regras lingüísticas que o falante de fato aprendeu e usa para falar e que constitui o seu repertório lingüístico. São evidentemente políticas embora não haja uma marca política. É a própria comunidade falante da língua que estabelece as normas de linguagem e excluí os que não se submetem a ela, condenando o modo de falar dos demais grupos. Uma língua é distinta por três conceitos: 1) O primeiro é conceito da língua eletista, como língua padrão, ou norma culta. Exclui a variedade lingüística por preconceito cultural. Considera que as outras formas diversas de falar são erradas e vistas como um desvio do padrão e para eles quem sabe falar correto não sabe votar, discernir, opinar etc. 2) O segundo conceito de língua também está ligado à gramática do tipo excludente, construindo o pressuposto teórico de forma abstrata e que por ser considerado homogêneo, não prevê variações no sistema. Está arraigada à ideologia das teorias, como por exemplo: às noções do estruturalismo define a língua como o meio de comunicação entre emissores e receptadores, codificadores e decodificadores, excluindo a importância do papel do falante no sistema lingüístico. 3) Na terceira concepção da língua, esta possui um conjunto de variedades gramaticais utilizadas por uma determinada comunidade e reconhecidas como heterônimas, isto é, de formas diversas entre si, mas pertencentes a uma mesma língua apesar das diferenças. Há diversos fatores que concorrem para as variedades lingüísticas e que estão intrinsecamente ligadas aos seus usuários. À condição social, onde os sistemas não pairam acima dos que falam e os valores são atribuídos aos seus falantes, porque não se sabe de nenhuma língua que tenha uniformidade entre a linguagem dos jovens e das pessoas mais idosas, dos dominados e dominantes etc., isso em qualquer circunstância. Isto torna o estudo da língua muito mais complexo, não só pelo fato do conhecimento total das regras gramaticais, mas principalmente em se formar um conceito, do que é e o que não é lingüístico, o que leva a tomada de decisão para o campo ideológico onde não pode ocorrer dicotomia entre a economia e a política. Outro fator relevante da língua é a sua dinâmica. Ela modifica através do tempo. Por mais resistente que a norma culta seja sua adesão ocorre. Não divulgam o motivo real da mudança baseada nos valores que os usuários lhe atribuem, mas, como se fosse produto do aprimoramento de sua fonte de origem. Há fatos básicos em relação à língua escrita e falada que não pode ser esquecido, a não ser que seja impedido pela política, exemplo: as línguas não existem entre si; elas variam num dado tempo; não são iguais em dois tempos diferentes nas suas variedades; em determinadas sociedades há uma variedade que merece atenção, tanto na normalização, criação ou incorporação, em que os sujeitos que a teorizam e a determinam como correta. As outras variantes é que são imperfeitas e desviantes da língua. É fundamental dizer com todas as letras, que todas as variedades lingüísticas são boas e corretas e que funcionam também por regras rígidas, tanto como as regras da língua clássica e que não existe erro lingüístico. O que na verdade existe são inadequações de linguagem não abonadas pelas regras sociais em relação ao valor social, dado as expressões em si mesmas e promovidas pelo contexto social dominante. Não existe nenhuma variedade e nenhuma língua que seja boa ou ruim, o que há nas línguas são variedades que merecem uma maior ou menor atenção que as outras e que são explicáveis pela historicidade. Fischman em seu livro, “Sociology of language”, se refere, ser um privilegio para a língua essas variedades e que isso contribui de forma especial para a valorização da língua. A padronização de uma língua consiste na codificação e aceitação desta pela comunidade lingüística. O que vai determinar o que é “correto”, são os hábitos e costumes dessa sociedade, portanto, não é uma propriedade da língua, mas um tratamento social que é imposto como algo natural. È promovida para ser aceita como desejável e vai assumindo sua autonomia diante da atitude tomada para a independência da sua unidade. Padroniza as gramáticas, dicionários, fixam regras, aumentam o léxico e modificam as normas pré-existente. A soberania lingüística incide na historicidade. Busca a própria ascendência. Esta é uma característica dos novos ricos, porque da mesma forma que a língua precisa de um esforço de reconstrução para ser autônoma, precisa também esforçar-se para ir buscar no passado e descobrir a sua origem para se estruturar. Para manter essa vitalidade é necessário preocupar-se com a sua manutenção e difusão. Ela é valorizada pela quantidade de pessoas falantes da mesma língua. A estruturação é elaborada através das gramáticas. Quando ocorre à dominação política é importante a escola analisa-la antes de transmitir uma ideologia lingüística para que não ocorra a cultura do silêncio nas instituições. Conforme Gerali (1981), a educação é um ato político e deve ser considerado como tal. Os interesses devem ser relevados a partir dos questionamentos: - Para que ensinamos? E sua correlata: - Para que as crianças aprendem o que aprendem? – É preterida em benefício de discussões como: - O quanto ensinar? - O que ensinar? etc. Precisa-se de uma resposta mais adequada ao “Para quê? Essa resposta deve ser dirigida as diretrizes básicas do ensino que envolvem uma postura relativa a educação, articulação de metodologias e as concepções de linguagem: Linguagem como expressão do pensamento ( se enquadra no pensamento positivista – gramática tradicional), instrumento de comunicação (vê a língua como um código – o estruturalismo e no tradicionalismo) e uma forma de inter-ação ( uma ação conjunta entre emissor e receptador numa interação entre os seres humanos - a lingüística da enunciação). A transformação de uma variedade lingüística em variedades “padrão” ou “culta”, está vinculada a muitos fatores: a associação desta variedade à modalidade escrita; a associação desta variedade à tradição gramatical; a dicionarização dos signos desta variedade; a consideração desta variedade como portadora legítima de uma tradição cultural e de uma identidade cultural e nacional. Deve-se preservar a variedade lingüística considerada como “padrão” e a variedade lingüística apresentada pelas classes menos privilegiadas também. Muitos defendem que essa linguagem tenha que ser apreendida e dominada por classes inferiores a título de oportunizá-las a entrar na luta contra as desigualdades sociais. Outra questão a ser bastante discutida, está na pergunta: - “O quê” ensinar? Opção que representa parte da resposta: - “Para que” ensinamos? O que se apresenta no momento é o ensino da metalinguagem, ou seja, simplesmente gramatical. Aplicação das regras e hipóteses de análises de problemas que nem mesmo os especialistas têm certeza que conhecem a fundo o assunto. Primeiro deve-se trabalhar a criatividade, as habilidades, a complexidade interdisciplinar e a sua interação com a língua, para depois poder aprender a analisá-la por partes isoladas. É preciso praticar muita leitura de textos, principalmente aqueles que envolvem dois tipos de narrativas diferentes e dois níveis diferentes de profundidade. No primeiro a leitura de textos curtos: contos, crônicas, reportagens, lendas, notícias de jornais, editoriais etc. No segundo a leitura de narrativas longas, como os romances e as novelas. Faz-se necessário produzir amiúde o primeiro tipo porque proporcionará desenvoltura para escrever o segundo modelo. Para que essa habilidade seja adquirida, é preciso que os textos do primeiro nível sejam elaborados no mínimo três vezes por semana e a do segundo nível, pelo menos uma vez. O enredo selecionado para leitura pede obras curtas e interessantes. Iniciar no primeiro horário de aula, a escolha feita pelo aluno, com o prazo determinado para o término pelo professor. Este deverá explicar todo o processo, desde a metodologia até a forma de avaliação. A finalidade é despertar o gosto pela leitura, induzir para interpretação, reflexão e depois à socialização. Excelente exercício apropriado para aprendizagem coletiva. Seria de bastante valia para os alunos se ao final do período letivo, cada criança tivesse lido no mínimo umas dez obras literárias, aprimorando o gosto pela leitura, hábito saudável para desenvolver a escrita e a cognição. Existem várias formas de fazer com que essas crianças tenham o contato com o livro: quando há possibilidades econômicas, comprado pelos pais; na biblioteca de uma entidade, escolar ou na publica; pedindo auxílio dos clubes, das editoras etc. É preciso que o professor incentive a leitura e faça cobranças por meio de esquemas, resumos, fichas de leitura, mas que não deve demonstrar que seria apenas para verificação se o aluno leu, mas para facilitar sua compreensão. Essa prática aprimora a compreensão para interpretação dos textos, como também servem de guia. Construir um fichário para a posteridade e incentivar o aluno a colecionar essas anotações que podem ser preciosas para o futuro. O importante é que a tarefa seja cumprida como lida, interpretada, discutida, interagida e reproduzida. Um dos fatores que canalizam o interesse dos alunos para ler e criar, está na divulgação dos seus trabalhos para a comunidade escolar e/ ou ultrapassar as fronteiras; colocar nos murais ou publicar no jornal da escola; se possível a escolha dos melhores textos para serem editados em jornal do bairro, comunidade ou mesmo da capital; elaborar livros artesanais para a biblioteca da escola são formas de incentivo para ler e desenvolver trabalhos escritos e descobrir novos talentos. Outro meio de se produzir conhecimento e promover cultura é incentivar os alunos a contar suas próprias histórias ou ir buscá-las dentro da família ou comunidade. Nesse caso abordarem fatos desconhecidos. Também será experiências importantes as elaborações de cartas para os familiares, fazer a descrição de um fato histórico e pitorescos da comunidade, da sua rua, de outras cidades, do Brasil, de outros países, enfim, que contenham fatos inéditos e curiosidades interessantes. O mais importante é dá respaldo para que o aluno sinta vontade e tenha base para escrever, colocar título, estimular para que a história seja interessante e despertar o interesse do grupo pela leitura, mediante a socialização. O trabalho deve obedecer um roteiro pré-estabelecido que aborde a seqüência desde o princípio, meio, e um fim inesperado. Deve-se respeitar a faixa etária do aluno e levá-lo a reflexionar sobre o seu trabalho e precisão em sua auto-avaliação. É bom frisar que os textos elaborados seguirão às normas exigidas para a elaboração da narrativa. Obedecer com fidelidade à seqüência dos fatos para que a história tenha além de um tema interessante, viabilidade em ser transcrito com clareza e entendido por quem lê. Este processo incide na resolução de vários problemas que os textos podem apresentar. Em primeiro lugar a narração tem que contemplar as respostas para: Quem? O que? Quando? Onde? Como? Por quê? Em segundo plano os problemas de ordem sintática verificando a concordância verbal, nominal e de regência. Depois os problemas que envolvem a ordem morfológica, o léxico com adequação vocabular, conjugação verbal, formas do plural, gênero e apresenta um resumo seguindo os seguintes passos: identificação; identificação de tempo verbal; infinitivo do verbo; gerundismo; consulta a dicionário e finalmente a correção de texto. Segue-se após os problemas de ordem fonológica: ortografia, acentuação e divisão silábica, problemas ordem textual (lingüística): Ponto de vista do narrador (narrar na primeira ou na terceira pessoa e obedecer à concordância). Observar a passagem de discurso indireto para direto e vice-versa e finalmente a ordem estilística: transformações simples de orações; reescrita de parágrafos. Para que a produção textual seja bem feita é preciso que o professor tenha habilidade e conhecimento do passo a passo que é necessário para a realização de uma obra e os alunos que assimilam esse aprendizado construído desde cedo não encontrará certas dificuldades existentes, como: interpretar, analisar, descrever, discorrer, escrever e principalmente se expressar corretamente ao adentrar ao nível universitário e no concorrer no mercado de trabalho. Para Gerald (1983), o ensino da língua portuguesa deveria centrar-se na prática da leitura de textos, produção de texto e a análise lingüística tendo como objetivos ultrapassar os limites da escola. Não permear de artificialidade o uso da linguagem em sala de aula e possibilitar a criatividade do aluno de sobressair-se nas modalidades oral e escrita de forma natural. Os professores preferem na maioria das vezes ensinarmos apenas à metalinguagem, entretanto, é preciso primeiro que se domine a língua na sua complexidade para depois fazer a sua análise por partes. Os alunos por sua vez acatam porque sabem que o vestibular é excludente e na parte da metaliguagem pode garantir seus pontos porque a redação é subjetiva e que garantias terão que vão ser lidos? Qual o ponto de vista do avaliador? Vai se interessar ou vai valorizar o conteúdo se não estiver de acordo com suas ideologias? São os temores que afetam os alunos. A falta de confiança na neutralidade do examinador. O vestibular é uma prova seletiva. O aluno que não possui uma boa caligrafia, sente-se prejudicado pelo preconceito e a discriminação, por acreditar que o ensino elitista sempre falam mais alto. Não se pode impor o que ensinar, mas aquilo que é preciso aprender para produção de textos tem que ser contextualizado globalmente e depois o aluno configura toda a gramática. Aprende onde colocar os pontos nos is. O importante é desenvolver o raciocínio lógico e que o aluno configure o domínio da linguagem. Para que isso ocorra é preciso muitos exercícios para amadurecer o conhecimento e para que os menos privilegiados não sofram o domínio da ação do outro sobre si, mas sim, possam elaborar suas ações sobre o mundo, com liberdade de expressão. Outro aspecto que deve ser observado para se chegar a o domínio da língua padrão, é: a prática de análise lingüística; a recuperação sistemática e assistemática; a capacidade intuitiva de todo falante de comparar, selecionar e avaliar formas lingüísticas; a prática de produção de textos como uso efetivo e concreto da linguagem e a determinada finalidade do locutor em falar e a escrever o seu pensamento por meio de um texto. Como se refere Lajolo, “Ler não é decifrar, como num jogo de adivinhações, o sentido de um texto. É, a partir do texto, ser capaz de atribuir-lhe significação, conseguir relacioná-lo a todos os outros o textos significativos para cada um, reconhecer nele o tipo de leitura que seu autor pretendia e, dono da própria vontade, entregar-se a esta leitura, ou rebelar-se contra ela, propondo outra prevista”. (1984, p. 57) Ser um sujeito crítico é um direito adquirido por todas as pessoas. Se as leituras não permitem informações benéficas para elevar o conhecimento e o professor não tem a intenção de promover uma pedagogia libertária, não terá sentido e nem finalidade optar por uma leitura não educativa. Um conteúdo digno para aprendizagem abre um leque de estudo para análise do texto, organização do pretexto e principalmente a fruição do tema enfocado, não apenas encontrado nos jornais, revistas, livros científicos etc., mas também nos textos literários. Dessa forma a interlocução também existe desde que o leitor interaja com o texto e procure estar a par de tudo que está relacionado ao tema: a época em que foi escrito, contexto social, cultural e político etc. Para elaborar o estudo do texto é preciso especificar: leitura do texto; a tese defendida no texto, que deve ser elaborada através de argumentos; o resumo desses argumentos retornando novamente a tese; propor a necessidade de ultrapassar o fato indicado pela tese, isto é considerado uma pesquisa-ação; o argumentos apresentados em favor da tese determinada; os argumentos levantados pelas as teses ao contrário, ou seja, a contradição; a coerência do texto e que podem ser desdobrados para garantir a veracidade e validade textual para estudar narrativas; verificar pontos de vista defendidos por personagens e os contra pontos, porque mesmo significantes interferem na produção do trabalho. O pretexto são as proposta para se elaborar um texto ou utilizar um texto representado de várias formas: dramatização, poema, conto, monólogo, música etc. Esta interação entre os interlocutores e locutores é muito importante para despertar a criatividade do aluno. Sem desenvolver essa habilidade jamais poderá partir para a fruição do texto. À primeira vista seria vista como uma forma exclusiva de um texto literário, mas não é, mas tem uma função interdisciplinar, porque não se pode dizer que um leitor de apenas um livro, possa emitir opiniões concretas sobre determinado assunto, é preciso ter profundidade de leituras para que se possa fazer comparativos sobre as mesmas, embasar o pensamento para tomada de posições e decisões e poder direcionar suas convicções com segurança. Geraldi (1984) propõe em linhas gerais o que é essencial para se produzir um texto bom. Devem ser utilizados três exercícios interligados: pratica da leitura, produzir textos e a análise da lingüística. O objetivo principal é o de tentar ultrapassar as fronteiras da escola, usar a linguagem de forma natural para possibilitar o domínio da linguagem oral e escrita . Produção de textos criativos por alguém, para alguém, e não apenas uma redação sobre alguma coisa, por isso a narração ser o melhor instrumento para desenvolver a faculdade de escrever bem. Para se obter sucesso, trabalhar a criatividade do aluno e não orientar simplesmente uma redação ou descrição sobre alguma coisa pré-determinada e trabalhar a associação de idéias é relevante para construir uma história interessante. Naturalmente ser essencial que seja bem trabalhada e orientada, as dimensões semântica, pragmática e gramatical. O ensino será muito mais generoso quando permitir ao aluno fazer suas próprias escolhas, dando preferências às narrativas longas que oportunizem atingir mais objetivos na criação. Para facilitar as etapas é preciso fazer o controle através da elaboração de esquemas, resumos, fichas de leitura e outros. Esses instrumentos servem como analise da qualidade e profundidade do entendimento da leitura pelo aluno, essa é a finalidade e não de impor com a severa preocupação pela avaliação, mas sim para despertar e internalizar no aluno o interesse pela leitura realmente. A quantidade de livros lidos não gera a qualidade de bom leitor. Não terá valor algum se o aprendiz não adentrar na compreensão dos textos. No entanto se há profundidade nas leituras e interpretação correta, a desenvoltura do aluno que leu dez livros, para aquele que leu apenas de um a dois, com certeza terá muito mais respaldo para o senso crítico e formulação de idéias mais concretas. Eles próprios estabelecerão quais os temas escritos para a “Feira de Livros. A competência e autonomia da poder de escolha, advém pelo bom hábito adquirido pela cultura da leitura. Como cita Brito (1994), o ensino encontra-se doente e não se consegue elaborar o diagnóstico. Isso permanece até hoje. O desempenho do aluno está aquém do nível. Os textos escritos pelos estudantes mostram que há falta de conteúdo, conceitos, regras e técnicas. A questão é descobrir os porquês e donde decorrem estas inadequações e o que elas revelam. È vital uma visão funcional e discursiva em busca de questões que tragam à tona porque ocorre esta realidade que vem atravessando décadas no problema de escrita, interpretação e elaboração de textos, sínteses e outros. Continuam ainda como um problema de base e que atinge todos os níveis escolares, inclusive as universidades onde os alunos continuam com os mesmos problemas para redigir, seja qual for o tipo de trabalho, resenhas, artigos, artigos científicos, porque na escola do ensino fundamental até o ensino médio ainda não descobriram a fórmula concreta para despertar o interesse dos alunos pela leitura e nem pela escrita. O problema é de base curricular mesmo. O português, uma língua para elites, confusa para seu estudo, e os professores não têm respeito pelas variedades lingüísticas das diferentes comunidades. O mais grave do desconhecimento é não saber contextualizar um texto com coesão e ajudaria muito e a muitas pessoas insipientes se o professor enquanto interlocutor não coagisse o aluno para um determinado tipo de discurso, apenas orientasse e respeitasse a sua opinião como pessoa humana. Observa-se, que a aprendizagem baseada somente na metalinguagem, faz com que o aluno querendo trabalhar dentro da língua culta, complique mais ainda quando escreve e cometa erros gravíssimos de ortografia, ou esdrúxulos, para preencher os espaços, mesmo que não tenha nada para dizer. Isso vem confirmar que o estudante utiliza na redação determinadas imagens que ele acredita que vai agradar ao interlocutor, do que ele gostaria de ler e não porque é o assunto que autor gostaria de escrever e deixar fluir naturalmente a sua criação. Dessa forma o interlocutor ameaça a criatividade do locutor, tolhendo a liberdade de expressão e não respeitando a subjetividade e individualismo, a maneira de pensar e agir da personalidade humana. Tradicionalmente, as pessoas escrevem como falam, entretanto, Gnerre (1983), diz que escrever nunca foi e nunca vai ser a mesma coisa que falar, são operações diferentes e influenciadas necessariamente para as formas escolhidas e seus conteúdos referenciais. A escrita é o resultado histórico e indireto de oposição entre grupos sociais que foram, são e serão, usuários de determinadas variedades lingüísticas. Osakabe (1983), no mesmo sentido defende que o ponto de vista de uma aprendizagem da língua escrita atua como complemento de natureza distinta. A escrita atua como complemento da oralidade, cumprindo certas atribuições complexas e que se situam além das propriedades inerentes a esta, a obrigatoriedade com a formalidade. Além disso, Mediatizada por estratégias mais tensas e sistemáticas de aprendizagem, a escrita achou-se e acha-se profundamente marcada pela assimilação por parte de chamadas sociais que, por condições de privilégio, mais a manipulação [...]. Ela guarda, não por essência mas por razões estratégicas, marcas dessas camadas. (idem, p. 12) Escrever formalmente é um fenômeno social pelo qual se obtêm status e ascensão. Na oralidade as marcas da norma culta perpassam para a escrita do indivíduo. Estão no inconsciente o que vem apontar um texto às vezes cumprindo funções sintáticas e semânticas muito próximas, misturando a escrita formal com a oral, utilizando vários recursos lingüísticos que se cria a partir do interlocutor. A maior e menor presença de cada um desses procedimentos, depende da maneira como o estudante apreende e opera os vários recursos lingüísticos que dispõe, bem como o tema, modalidade relacional do momento e lugar em que escreve, principalmente pela imagem que ele interpreta do interlocutor. A aprendizagem decorre da necessidade e do uso real que o falante faz da língua para ter o conhecimento de mundo. A linguagem é o procedimento comunicativo de ação entre as pessoas. Seu aprendizado corretamente é o motor providencial de procedimentos para a construção da linguagem internalizada pela cognição e que vai ser utilizada em torno dos objetos sobre o qual quer e vai poder operalizar. Não se pode avaliar o aluno pelo tema de uma proposição imposta se ele desconhece o assunto. A produção do texto é uma coisa muito particular e subjetiva. Elaborado a partir do conhecimento prévio do aluno e o interlocutor tem que participar como mediador da relação homem-mundo, sua percepção e os valores de cada um. Escrever deve ter o prazer lúdico, do jogo de palavras que vão contentar locutor e interlocutor, não podendo existir um caráter artificial do contexto porque intervirá no processo de produção. Para que o resultado final seja satisfatório é necessário que o aluno conheça em primeiro lugar o tema para desenvolver o conteúdo e depois o interlocutor procure integrar-se com os seus locutores, porque o domínio da linguagem escrita depende exclusivamente da oralidade e da forma que lhe é apresentada. Precisa-se de reflexão sobre as possibilidades de proporcionar uma real escola para o povo. A escola tem o poder de modificar a estrutura social de uma nação, basta que haja vontade por parte do corpo que a compõe e “Formar iguais àqueles que a realidade social e econômica tornou distintos” (NIDELCOFF, 1978, p. 13). A leitura é capaz de formar homens reflexivos, portanto o trabalho do professor é respeitar os valores de cada um, e diante dessas habilidades do ensino a construção entre os pares, professor e aluno, por uma qualidade de vida melhor para todos, internalização novos conceitos, nova mentalidade e contribuindo para formalizar os anseios na construção de uma nova sociedade, com formação crítica e reflexiva que saiba impor a sua vontade. É de suma importância à relação de coesão entre lingüística materna e a gramática da língua, onde devem ser colocadas e discutidas as imposições das regras normativas e gerativas dos conflitos, entre o falante e a norma, verificando quais as possibilidades de harmonia entre os mesmos. Para alguns autores a gramática é tomada como preconceituosa e acientífica levando alguns professores de língua há uma postura insegura em relação ao que ensina. Diante de tal afirmação, decisões de caráter metodológico e administrativo fogem do ofício da lingüística, cabendo penas a análise da língua usada pela comunidade e a organização desta, para que o uso e aplicação em sala seja de forma adequada e compreensível ao grupo. Para que isso ocorra é necessário que sejam estabelecidos parâmetros lingüísticos com relação aos objetivos da aprendizagem, seus propósitos e quais são os que se contrapõem aos reais objetivos de tal ensino. A lingüística pode construir e solidificar o trabalho cotidiano do professor no que se refere à utilização da língua materna, sem que haja fuga da realidade e baseado em considerações e observações científicas lingüística levando em conta a perspectiva do falante. Recuperado a confiança e a segurança deste na língua materna, deixando de lado o ensino gramatical da metalinguagem, verdadeiramente alienante, partir para uma nova linha de ação por parte do professor, escola e coordenação pedagógica, com o ensino da gramática elaborado de forma contextualizada e não isolada, trará a tona um estudo dinâmico da gramática viva, participativa e de fácil internalização. Diferente do que se preconiza, a metodologia tradicional que peca no que diz a respeito ao domínio lingüístico do aluno, que este adquire a língua naturalmente num processo eminentemente social e que todo e qualquer recurso metodológico deve ser considerado como parâmetro à produção lingüística no seu estado materno, isto é, para que haja a construção do discurso, é mister haver a práxis educativa. Kato lembra (Apud/SENA,1983) que se considera a língua natural como paradigma de uma importância capital, na medida em que ela nos fornece dados da realidade lingüística do aluno, da qual deve partir-se para atingir os objetivos desejados. Dessa forma, surge a necessidade de novas pesquisas voltadas para a melhoria do ensino da língua possibilitando ao estudioso da lingüística, fornecer um quadro de noções teóricas e práticas ao professor e este transmitindo ao lingüista a sua prática pedagógica. Tanto no emprego da língua culta ou coloquial, o que se verifica, é uma linguagem riquíssima em valores culturais e sociais. Cada dia surge novos vocábulos para enriquecer o nosso idioma e com variações até de escrita de forma diferente e o que vai identificar é o contexto. Uma narrativa popular que é intitulada de brega, literatura de cordel, sertaneja ou chula (matuta), emite mensagens de sentimentos, de amor, solidão, desejos, paixão ou beleza de igual significado poético da língua culta, para o falante que a emprega, fazendo-se necessário que os professores invistam no capital lingüístico, respeitando a linguagem coloquial de cada um, para facilitar a sua comunicação social, mas também investindo no enriquecimento da língua falada e escrita através da língua culta. Isso implica compromisso dos educadores em ampliarem os seus próprios conhecimentos. Apesar de todo o conhecimento existente no campo da metodologia voltada para o aluno, existe ainda muita resistência por parte das classes dominantes e interesses políticos. Cabe aos responsáveis pela educação a elaboração de um currículo corretamente voltado para o domínio lingüístico do aluno, suas idéias, sua visão de mundo e pelo próprio direito de conhecer e saber mais. A cultura da narrativa, de forma lúdica, pode promover primeiramente a criatividade oral e depois a escrita para o aprendiz. Depois dessa internalização o ensino pode ser voltado para as notas, para o livro didático e a gramática que será internalizada através do exercício diário entre as narrativas, redações, dissertações, e nesse momento da oitava série, já deverá ter na bagagem de seus conhecimentos os significados distintos sobre a versatilidade das formas de desenhar as crônicas, resenhas e cartas comerciais e outros tipos. O ensino voltado ainda para louvar as práticas do tecnicismo e não para o aluno, causam muitos prejuízos porque age como mero instrumento de processo educativo de planejamento inferior. Outra grave maneira para alijar o elemento humano no contexto educacional é classifica-lo pela nota. O livro didático na maioria das vezes está centrado no interesse de terceiros, como os das multinacionais. Mais agravante ainda ocorre quando o professor não possui leitura política e prejudica a transmissão da pedagogia libertadora. O livro torna-se o objeto de manipulação porque ausentes de informações verdadeiras, estreitam a visão do aluno diante do mundo e tendo como princípio básico de ensino apenas escutar e decorar. É de suma importância que sejam desmascarados os interesses e a gramática seja praticada na aprendizagem para iluminar e não ser um entrave que devido a sua complexidade obscurece o crescimento do aluno, alimenta a cultura do poder, porque a comunicação e a informação deve ser elaborada de forma concreta e desnudas de ideologias limitadas e excludentes. A escola é o grande interlocutor da linguagem e comunicação. A língua é o meio de socialização e interação entre os indivíduos para trocarem idéias, entrarem em acordo e determinar o consenso. É curioso porque a falta de saber para quem falar, ou não ter para quem falar, constitui um problema, mas sabe-se que existe uma presença forte que representa e promove essa dificuldade. O filósofo Aristóteles afirma que todo sujeito tem um predicado, seja verbal ou nominal. Depois de tantos séculos da criação da sintaxe, através do estudo das premissas, nos tempos de hoje o homem em geral tem grande dificuldade de resolver e decifrar uma análise sintática, simplesmente por não ter sido levado a sua compreensão, que as ações (verbos) dentro das frases, orações e períodos, são responsáveis por todos os elementos que compõem a metalinguagem do texto É preciso que o aluno encontre seu rumo de liberdade de expressão e cidadania através do ensino sistematizado e não sufocá-lo na gramatiquice da lavagem cerebral gramatical com o propósito de aprender apenas o português, porque o homem quer crescer verticalmente e esse querer de pertencimento social é que vai permitir-lhe alçar vôos em pensamentos, idéias, para abranger um contingente de melhor qualidade de vida. O exercício por meio da narrativa, empreendendo o desenvolvimento da escrita e da fala, é essencial para desenvolver o conhecimento cognitivo, na interpretação do mundo e discernimento pelas ações positivas que lhe garantam um futuro promissor.

MEDODOLOGIA

Este trabalho está fundamentado na observação e reflexão, sobre as dificuldades encontradas pelos estudantes universitários na elaboração de textos criteriosamente escritos com discernimento e conteúdo. A incompetência e insegurança na expressividade durante a apresentação de trabalhos orais está relacionada à deficiência pela ausência do exercício diário da leitura e interpretação, durante as fases do Ensino Fundamental e Médio. A incompreensão sobre os assuntos lidos durante o processo de formação discente que antecedem o nível Superior, perpassa muitas vezes até o nível de Pós-graduação. A falta de capacidade do ser humano em integrar-se aos grupos sociais de cultura mais elevada, ocorre pelo grande temor em elaborar trabalhos universitários incompetentes, por não ser apto a interpretar leituras do terceiro nível, produzir sínteses, resumos e/ou resumos/analíticos, resenhas, artigos científicos, trabalhos de grupos e em equipes, enfim, todas as culturas de estudo que permeiam o ensino desde as séries iniciais até o último estágio de graduação é de grande importância que ganhe domínio de todo o público. O trabalho apresentado é um projeto de pesquisa-ação, formulado através de um “Projeto Educativo de Formação: Cultura de estudo: A Excelência da Narrativa”, elaborado para ser socializado inicialmente com os alunos da 8ª série. Nesta fase o aluno infanto-juvenil, cursa a última série do ensino sistematizado, Fundamental, para o início de uma nova etapa, o Ensino Médio, onde vai atingir um grau maior de responsabilidades em relação a aprendizagem. Exige uma maior capacidade para abstrair conceitos do ensino científico, portanto, necessita de mais ação reflexiva e desenvolvimento da cognição, apreensão dos conhecimentos de forma interdisciplinar. A narrativa é uma das culturas de estudo mais importantes da língua portuguesa. Sua função é essencial e relevante para o entendimento de todas as disciplinas no aspecto e dimensão. Não existem respostas se não há compreensão da leitura. Todos os problemas para serem elucidados, é preciso ser interpretado, decifrado, analisado, para ser concluído corretamente, não importa a disciplina. Não há como resolver um problema sem compreender o seu enunciado. Só o conhecimento preciso da língua permite um perfeito diálogo entre o locutor e interlocutor, falantes de uma mesma língua. O pensamento explícito com clareza e objetividade são fatores essências para não ocorrer dúbio sentido durante a comunicação falada ou escrita. Para uma melhor compreensão da leitura é preciso dominar alguns conhecimentos da linguagem: A) Dimensão semântica: atividade prévia a leitura do texto, através de diálogos, músicas, figuras, brincadeiras, etc., em relação ao texto que vai ser lido, ou posterior a sua leitura, e que envolve a construção do significado através do sentido das palavras, da relação delas com o texto; b) Dimensão pragmática: associar a leitura do texto com situações variadas e vividas pelo leitor no dia-a-dia, ou com outras leitura,s e/ou com outros conhecimentos paralelos ou de mundo. c) Dimensão gramatical: durante o momento de correção da produção do escritor, trabalha-se os aspectos gramaticais como a pontuação, importância da ordenação das palavras, concordância verbo-nominal, anti-gerundismo, acentuação, ortografia. Trabalhar a gramática a partir da produção do texto, seja oral ou escrito, de forma contextualizada e nunca isoladamente. As regras básicas dos porquês; definição do onde, donde, aonde; por isso; de repente; isto, isso, aquilo, enfim, as regras básicas gerais que geram muitas dificuldades e dúvidas durante o ato de escrever. O projeto da práxis educativa, foi elaborado em cronograma anexo, para o ano de 2008. Um trabalho composto por seis narrativas longas. Sendo um projeto pedagógico deve contar com a colaboração de todas as pessoas envolvidas, portanto, deve ser solicitado durante a matrícula, a presença dos pais e respectivos filhos, alunos da oitava série à comparecerem dois dias antes do início das aulas e durante essas oito horas que antecedem o turno do ano letivo, elaborarem conjuntamente com os professores e coordenação pedagógica o planejamento de forma interdisciplinar. As escolhas dos temas a serem abordados devem ser de livre arbítrio pelos alunos. Também determinado a aquisição desses livros e temas, os locais onde serão escolhidas as leituras, como: Biblioteca do Estado, Entidade e /ou Escolas, do estado, jornais, revistas, internet, comunidades, instituições e que os temas sejam variados, interessantes e se for possível, desconhecidos pela comunidade participante para movimentar mais ainda o estímulo à pesquisa. Outro momento importante, é a escolha do dia da semana em que vão ser elaborados os trabalhos para que todos tenham a responsabilidade em não se ausentarem no dia previsto. Verificar a data com precisão no calendário, para evitar dias imprensados, datas comemorativas, para que não haja ruptura no trabalho. Cada tarefa terá quatro etapas, desde a leitura até a socialização em sala de aula. No final do semestre com toda a escola e no final do ano, uma “Feira do Livro”, para toda a escola, incluindo a comunidade e aproveitando para o ensejo da despedidas dos jovens para outra escola, por isso seria interessante que o trabalho de narrativa ultrapassasse as fronteiras da escola para dar mais incentivo para aqueles que irão concluir a oitava série no próximo ano seguinte, porque estes já iriam pensando nas novidades que poderiam ser trazidas para as festividades da escola, seria um grande estímulo para despertar a criatividade do aluno e o interesse pela leitura. Não existe desenvolvimento na expressividade seja escrita ou oral se não houver estímulo por esse conhecimento de mundo, dos contextos sociais, ambientais, familiares e outros, é necessária a pesquisa através da leitura. Não se emite valores, impressões, dissertações, narrações sobre fatos que se desconhece. Não há competência sem ética e a sociedade é necessita de conduzir o ensino para formar sujeitos críticos, competentes e com autonomia. Esse projeto tem como base a responsabilidade pela inclusão social que permite aos sujeitos oportunidades para dialogar e criticar. Esses se tornam reflexivos e formadores de opiniões. Essa interação entre os sujeitos, locutor/interlocutor entram em sintonia quando falam a mesma linguagem e chega-se ao um consenso que satisfaz ambas as partes. Isso é produto da cidadania.

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