domingo, 21 de setembro de 2008

"CULTURAS" DE ESTUDO






PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO NA UNIVERSIDADE: AS “CULTURAS” DE ESTUDO

Edileuza Maria Lima Belmont1
Greyce Valerye Monteiro de Oliveira2
Maria de Deus Oliveira de Siqueira Alves3
Raimunda Cleonice Neves4

“Aprender é aumentar o cabedal de recursos de que dispomos para enfrentar os problemas que nos apresenta a vida cultural.”.
(Mira y López)

Resumo:
Este artigo versa sobre as “culturas” de estudo que permeiam o processo de produção do conhecimento na universidade. Através de um questionário com perguntas abertas, procuramos conhecer que tipo de praticas mais usadas no processo formativo dos estudantes do 7º período, turno matutino, do Curso Normal Superior, na Universidade do Estado do Amazonas, e quais as respectivas influências na aprendizagem daqueles. A análise do resultado desta investigação foi fundamentada por teorias consideradas importantes a sistematização do estudo e feita uma analogia com as técnicas mais utilizadas pelos acadêmicos e que afirmam serem eficientes para apreender os conteúdos epistemológicos.



Palavras-chave: cultura; técnicas; aprendizagem; culturas de estudo.


Introdução
Em sua essência, a educação pode ser concebida, como processo de transformação que permite ao ser humano desenvolver suas potencialidades inatas, de acordo com determinadas referências culturais. As estruturas e formas de sentir, pensar e agir, são construídas em interação com uma dada cultura, antes, durante, depois, dentro e fora das experiências escolares.


A universidade, enquanto componente formal da educação, entre outras funções, desenvolve métodos e procedimentos para transmissão e elaboração do conhecimento, de um mundo de mudanças, para um mundo em mudança. A UNESCO, se refere, que ela, é diretamente responsável em proporcionar para os profissionais do século XXI, aprendizagens essenciais, como: a) Aprender a Conhecer - conciliar uma cultura geral, ampla o suficiente, com a necessidade de aprofundamento em uma área específica de atuação construindo as bases para se aprender ao longo de toda a vida; b) Aprender a Fazer - desenvolver a capacidade de enfrentamento para resolver situações inusitadas que requerem, na maioria das vezes, o trabalho pessoal ou coletivo, profissional e/ou social. Pequenas equipes ou em unidades organizacionais maiores; saber se posicionar e assumir iniciativa e responsabilidade em face das situações profissionais; c) Aprender a Conviver - perceber a crescente interdependência dos seres humanos, buscando conhecer e respeitar o outro, sua história, tradição e cultura e acatar a diversidade humana. A realização de projetos em comum, a gestão inteligente e pacífica dos conflitos que envolvem a análise compartilhada de riscos na ação conjunta em face dos desafios do futuro e os conflitos que ocorrem devido ao interesse de cada um; d) Aprender a Ser - desenvolver no ser humano a autonomia e a capacidade de julgar com senso crítico. Fortalecer a responsabilidade pelo auto-desenvolvimento pessoal.
O processo educacional na Universidade é orientado pelos seguintes princípios metodológicos: a) Participante: sujeito da educação - o aprendiz é reconhecido como agente e sujeito da educação; daí ser denominado "participante". É preciso que seja relevada a dimensão da cidadania, ou seja, a ação efetiva de cada indivíduo para interferir de forma progressiva no destino da comunidade. As tendências pedagógicas que buscam formatar o educando como ente passivo, mero receptor de conteúdos, devem ser rejeitadas e exaltadas aquelas que promovam criatividade, opinião abalizada e questionadora. b) Problematização da Realidade - os temas estudados referem-se a questões relevantes para os participantes e são apresentados de maneira não-dogmática. Nas ações educacionais internas, os problemas que ocorrem durante a aprendizagem, dialética ou trabalhos em grupo devem ser levantados e analisados por todos possibilitando o desenvolvimento da capacidade crítica, a partir de uma visão multilateral da realidade; c) Método Socializador e Dialógico - o trabalho educacional é cooperativo, dirigido à elaboração conjunta de um saber que resulta da síntese entre teoria e prática. Além das técnicas de ensino individuais, utilizam-se técnicas socializadoras, fundamentadas no diálogo e no trabalho em equipe ou grupo; d) Democratização do Saber - na vida, no trabalho, na sociedade e principalmente dentro da universidade, onde reside a maior é parte da produção coletiva do saber; assim, o conhecimento e a oportunidade de aprender devem ser compartilhados por todos num espaço de igualdade; e) Educação Contínua - a aprendizagem é fundamentada na visão da educação como processo permanente e no propósito de promover o auto-desenvolvimento, favorecendo a humanização dos homens e mulheres que participam da ação educativa. A educação na Academia deve ser dinâmica e contínua e leva em consideração a atividade (tarefa), as pessoas (acadêmicos e docentes) e o contexto (ambiente) e que esses conhecimentos adquiridos, deve transcender e serem partilhados no campo profissional, mas também no pessoal e social. f) Visão Global e Integrada da Dinâmica do Profissional:- as ações educacionais direcionadas aos discentes na sua totalidade deve ser por eles propagadas em suas relações com os colegas de turma, parceiros profissionais, com a sociedade, a família, o País e o mundo. A interdisciplinaridade e a troca de experiências entre as pessoas concretizam a idéia da dependência entre as partes e o todo. O planejamento educacional procura adequar o processo de ensino-aprendizagem às características necessárias as contínuas mudanças que ocorrem no tempo e no espaço dos homens. O “ser” está inserido num contexto social em permanente transformação.
Não podemos deixar de enfatizar que grandes dificuldades cercam o estudo na universidade, e problemas ou fenômenos que nela acontecem deverão ser compreendidos na relação com o contexto social. Significa dizer que, entender os problemas nessa instituição implica entendê-la, descrevendo e interpretando as suas práticas, compreendendo-a na trama de relações sociais em que o processo educacional tem lugar. Essa configuração específica determina que a universidade, como instituição da cultura, transmita e produza saberes e valores, estabeleça modos próprios de agir, de pensar, de organização do tempo, do espaço, das relações, dos papéis, dos lugares sociais internos e das técnicas de estudo.
Muitas pessoas denominam-se de “estudantes” mas, na verdade, desconhecem o verdadeiro sentido da palavra ESTUDAR. O ato de estudar não compreende somente ler e reler um texto, mas ir à procura da verdade, tirar uma opinião própria sobre determinado assunto. É, na maioria das vezes, trabalho duro e penoso, exaustivo, que requer empenho, dedicação e perseverança. Obter bons resultados todos estudantes pretendem, porém as metas a serem atingidas têm que serem elaboradas através de estratégias eficazes. Por isso é importante saber como estudar, utilizando-se de técnicas que ajudem a internalizar os conhecimentos. Se essas forem seguidas, seguramente o sucesso será alcançado, e o próprio aluno perceberá que pode ultrapassar seus limites e conseguir uma excelente aprendizagem.
Neste trabalho procuramos, em primeiro lugar, definir cultura a partir do ponto de vista antropológico e filosófico, para melhor entender as respostas dos estudantes com relação a esta categoria. O item seguinte discorre sobre o uso das técnicas na educação, procurando conhecer as técnicas utilizadas pelos acadêmicos do 7º período do Curso Normal Superior. Conceituando aprendizagem foi o terceiro tópico desenvolvido com o objetivo de saber como este processo é influenciado pelo uso das técnicas de estudo. As “culturas” de estudo dentro da universidade, nos leva a descobrir a importância das técnicas adotadas pelos estudantes, para a apropriação do conhecimento durante a formação universitária e, finalmente, tecermos algumas considerações sobre a melhor maneira de estudar, para se obter resultados positivos.
Esperamos que estas considerações contribuam não só para se pensar melhor o ato de estudar e a importância de se valorar as técnicas existentes, mas vislumbrar, também, a possibilidade de ser criativos e inventivos quanto às novas maneiras de se estudar e obter bons resultados, respeitando os limites, o ritmo, o jeito, enfim, a cultura e a forma singular do “eu”, que caracteriza cada ser humano.
Definindo Cultura
A primeira definição de cultura, formulada a partir do ponto de vista antropológico, pertence a Tylor (apud/Laraia, 2004, p. 28), “Cultura é todo comportamento aprendido, tudo aquilo que independe de uma transmissão genética”.
No final do século XVIII e no princípio do seguinte, o termo germânico Kultur era utilizado para simbolizar todos os aspectos espirituais de uma comunidade, enquanto a palavra francesa Civilization referia-se, principalmente, às realizações materiais de um povo. Tylor (idem, p.25) sintetizou ambos os termos no vocábulo inglês Culture “tomado em seu amplo sentido etnográfico é este todo complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade”.
Com essa definição, Tylor abrangia em uma só palavra todas as possibilidades de realização humana, além de marcar fortemente o caráter de aprendizado da cultura em oposição à idéia de aquisição inata, transmitida por mecanismos biológicos.
Num sentido mais amplo, antropológico e filosófico, nos diz Aranha (1996, p. 14), “cultura é tudo o que o homem faz, seja material ou espiritual, seja pensamento ou ação”. Cultura, pois, passa ser o resultado de tudo o que o homem produz para construir sua existência. A cultura exprime as várias formas pelas quais os homens estabelecem relações entre si e com a natureza. Na intermediação dessas relações, o homem usa símbolos (signos), arbitrários e convencionais, pelos quais ele representa o mundo. Nesse sentido pode-se dizer que “a cultura é o conjunto de símbolos elaborados por um povo em determinado tempo e lugar” (idem, p. 15). Dessa forma, ela passa a definir valores e significados, ditar normas, regras e rituais que constrói uma mentalidade coletiva em uma determinada sociedade.
Sabemos que existem diferenças culturais que podem interferir na convivência grupal e, de acordo com Freitas, (2002, p. 21), “os sujeitos, ao desenvolverem suas capacidades criativas, convivendo com as diferenças, com as mudanças e com novas experiências, têm a possibilidade de romper com certos valores, regras e mitos produzidos por uma sociedade”, e atribuir outros novos juízos e valores.
Quando perguntamos aos acadêmicos, do 7º período do Curso Normal Superior, turno matutino, da Universidade do Estado do Amazonas, quais as diferenças culturais que existem entre eles, e até que ponto essas diferenças interferem no relacionamento e na forma de estudo do grupo como um todo, nos responderam que as diferenças existentes são regionais e religiosas, e quanto à interferência, só existe de forma positiva. – Para enriquecer, pois, ao longo dos períodos, várias discussões foram feitas em sala de aula, que abordaram variadas temáticas, entre elas, pontos turísticos, variações geográficas, de solo, da água, rios, temperatura. Na alimentação, no vestuário, costumes e muitos outros.
O mundo cultural é, dessa forma, um sistema de significados estabelecido por outros. Ao nascermos, já encontramos um mundo de valores conceituados. A língua que aprendemos, a maneira de nos alimentarmos, o jeito de nos vestirmos, sentar, andar, correr, brincar, o tom de voz nas conversas, as relações sociais, tudo, enfim, se acha estabelecido em convenções. Até as emoções, que são manifestações espontâneas, são reguladas, está sujeita às regras que dirigem a sua expressão. Por exemplo, o choro feminino é visto com complacência, e o choro do homem, com recriminação, pela visão estereotipada da nossa sociedade.
Para garantir essas afirmações nos apoiamos em Aranha, (1996, p. 16), quando diz que: “A condição humana não apresenta características universais e eternas, pois variam as maneiras pelas quais os homens respondem socialmente aos desafios, a fim de realizar sua existência sempre historicamente situada”.
Aceitar as diferenças entre as culturas nos ajuda a evitar o etnocentrismo e o julgamento de outros padrões morais, estéticos, políticos, religiosos etc, a partir dos nossos próprios valores, favorecendo não apenas a recriação da nossa própria cultura, enriquecendo-a com novos costumes e comungados socialmente. Porque “o ser humano exige a superação daquilo que ele herda, numa constante recriação da cultura” (idem, p. 17). Para que essas diferenças sejam aceitas, é preciso que o sistema educacional forme cidadãos que tenham capacidade de conviver num mundo diferente, de compreender a complexidade das relações humanas e das atividades que irão se defrontar e capazes de assumir sua liberdade de escolha, respeitando as responsabilidades e instabilidades que essa liberdade impõe.
O uso das técnicas na educação
A técnica é a operacionalização de um determinado método de ensino, seja ela elaborada de forma teórica, que é a atitude filosófica, as reflexões sobre uma problemática que se quer socializar, ou em sua parte prática, a práxis, que se encontram imbricadas e para que se possa obter resultados expressivos, devem ser bem orientas e utilizadas com disciplina hierárquica e adequada ao processo de trabalho, guiando pelo caminho certo, pois cada fato, é um caso diferente em si, e por meio do passo a passo bem articulado, que se obtém a proximidade da realidade de um determinado fenômeno. Como se refere o Ximenes sobre a técnica: “Conjunto dos processos de uma ciência ou artes” (2001, p. 830). Porque para cada atividade a ser desenvolvida, se exige um procedimento, uma especialidade peculiar, para formular um projeto, desenvolver e produzir um conhecimento epistemológico. É preciso que se utilize tanto a técnica como a forma de exposição de maneira correta para que valorize o trabalho, mas, é o conteúdo pesquisado e exposto de forma clara, concisa e de veracidade comprovada que é realmente imprescindível a qualquer tipo de pesquisa, resenha, documentário e outros.
O mundo da educação está sempre na berlinda e, em vista disso, nos perguntamos se o sistema educacional, na universidade, se encontra preparado para enfrentar os desafios impostos pela complexidade atual, formando eficientemente seus alunos. Isto porque a rapidez com a qual os conteúdos devem ser transmitidos, inovados e assimilados nas diversas áreas, exige adaptação e sistematização por parte dos estudantes, de técnicas que os ajudem a absorver os ensinamentos transmitidos durante a vida acadêmica. As técnicas de estudo se constituem, portanto, numa ferramenta muito útil para a obtenção de resultados positivos de aprendizagem, na Academia.
Essas técnicas desenvolvidas na universidade têm como função primordial, instrumentalizar o acadêmico para que ele possa sistematizar os procedimentos de estudo, e obter o maior desempenho no exercício do ato de estudar e, conseqüentemente, maior rendimento na apreensão dos conteúdos. Pilleti se refere a certos procedimentos,
Algumas técnicas, desenvolvidas recentemente, têm insistido na individualização do ensino, uma vez que sua preocupação básica é organizá-lo e atender as diferenças individuais, principalmente no que diz respeito ao ritmo de aprendizagem de cada indivíduo (2003, p. 105).
Para Piletti (idem), as fichas didáticas, estudo dirigido e instrução programada são técnicas desse ensino individualizado e subjetivo. Com base nesses pressupostos, fizemos aos acadêmicos do 7º período do Curso Normal Superior, a seguinte indagação: Quais são as técnicas de ensino que utilizam para internalizar as informações recebidas dentro e fora da universidade? De suas respostas relacionamos as seguintes técnicas: memorização, repetição, reescrita, reflexão, anotação, debate, discussão para melhor assimilar as informações. Estes estudantes se apropriam dessas estratégias para dar conta das atividades que o dia-a-dia da vida acadêmica lhes impõe, por serem imprescindíveis nos processos de suas aprendizagens.
Aprender, como podemos observar, é uma atividade complexa. Entre outras habilidades, estudar de forma compreensiva e não meramente repetitiva, requer aprender a concentrar-se, a analisar, sintetizar, memorizar, interpretar e expressar a informação. Para complementar esta linha de pensamento, “vale lembrar a importância da atenção, da memória e da associação de idéias na aprendizagem”, (BASTOS; KELLER, 1999, p. 19).
Essa atenção, está ligada ao nível de concentração mental que se instala no indivíduo permitindo-lhe ficar antenado no conteúdo que o professor está ministrando e que nessa altura do campeonato, já sabem discernir quando o professor finge que ensina, e apesar de adultos, não conseguem ficar atentos. Para os estudantes há aspectos que os envolvem na presença e participação: Postura, eloqüência, interesse e conhecimento, enfim, a competência do professor em dirimir o assunto tornando-o acessível e interessante; Conteúdos atualizados e que implicam no cotidiano, principalmente sobre a qualificação e formação profissional da práxis; A interação em sala de aula que promove debate discursivo e oportuniza e respeita a doxa de todos etc.
A memória é a faculdade de armazenar conhecimento, e quando necessário trazê-lo ao momento de consciência presente, sem dificuldades. Para os universitários está intimamente ligado à atenção, todavia varia o tipo de prática ou estratégia que usam para fixar conteúdos. Uns utilizam-se da memória de repetição, outros preferem ouvir e dialogar sobre o texto. Alguns preferem pesquisar o assunto por diversos instrumentos, mas a maioria possui memória visual. Outros aspectos que também favorecem mais ainda a fixação, como: a vivência e prática; tema interessante e atual; a dialética que ganha impasse, consegue transcender e finalmente estabelece uma melhor compreensão.
A associação de idéias é a conexão recíproca dos elementos, evocando-se uns aos outros, segundo uniformidades. Esta presentemente constante na interdisciplinaridade onde se percebe a versão e o entrelaçamento dado a uma coisa, ou num determinado momento, por diversas áreas da ciência. É interessante perceber quando os saberes se cruzam mantendo suas características interdependentes e quando se associam para formarem um juízo. A importância dessa inter-relação para a construção do conhecimento globalizado é importante e interessante para a visão unitária que possibilita mais facilmente a apreensão e a elaboração de conceitos pertinentes a sua abrangência
Segundo Gonzaga (2005, p. 51), os procedimentos de estudo mais comuns na universidade, adotados para aproximar estudantes do conhecimento, interar-se com os diálogos e apreensão de teorias adotadas para a retroalimentação do respectivo processo são: sublinhar, fichar, esquematizar, resumir, estudo em equipe e seminário. Estes procedimentos ajudam na obtenção de um bom aproveitamento nos estudos e facilita a compreensão, retenção, memorização e, ainda, serve como documentação a posteriori.
Uma das primeiras dessas técnicas a prendidas, é a de sublinhar – arte de colocar em destaque as idéias principais e palavras-chave de um texto. Um texto corretamente sublinhado permite sua releitura com brevidade, economizando tempo e sem prejuízo de conteúdo. Significa localizar informações relevantes, auxiliando o sujeito a manter-se concentrado na leitura, avaliando e selecionando as noções principais das conexões e inter-relações do conteúdo. É uma excelente forma de avaliar a compreensão do texto. Exige uma previa leitura do texto para identificar o conteúdo e valorar a sua dimensão.
Contudo sublinhar, só tem valor quando são observadas as regras. A quantidade correta de informação marcada com regularidade e consistência, sendo necessário, precisão e fidelidade ao conteúdo, porque um sublinhado indiscriminado, atrapalha mais do que ajuda. A eficiência depende da obediência aos critérios: 1. Quantidade de Informação - Não se deve sublinhar mais do que o espaço entre 1/4 e/ou 1/3 de cada página. 2. Regularidade e Consistência - Uma forma segura, é determinar com antecedência, que tipos de informação se quer marcar. Somente as idéias centrais e os detalhes mais importantes; definições; novas terminologias etc, podendo-se utilizar as combinações de linhas subscritas como sublinha dupla para idéias principais e simples para os detalhes. O fundamental é a regularidade das escolhas, a manutenção durante todo o processamento do texto, isso ajuda para se obter segurança e não necessitar a releitura do material. 3. Precisão - É fundamental que a informação sublinhada contenha a idéia principal do parágrafo ou excerto de forma precisa. Às vezes a informação é mutilada porque se sublinhou imprecisamente. 4. Fidelidade - O sublinhado deve relevar o conteúdo do excerto, de modo que a releitura e a revisão possam ser obtidas de forma facilitada e possível de compreensão da leitura porque se não estiverem claras nessa leitura, estarão mais confusas no futuro. O -sublinhado deve seguir o encadeamento de pensamento e não um rol de palavras não conectadas. Pode-se utilizar várias formas de marcação para identificar e alinhar as idéias dentro de um documento. Quando elaboradas de maneira formal, são utilizadas construções gráficas complexas (esquemas, gráficos, ilustrações, quadro tabelas, fluxogramas). Quando são marcas simples, pode-se utilizar simplesmente o sublinhar, rabiscos, desenhos, letras, códigos etc.
As marcas podem ter denominações diferentes conforme a sua função dentro do texto. As marcas de supressão são lembretes deixados pelo leitor de acordo com a relação estabelecida entre ele e a leitura e que tem por finalidade destacar ou criticar o material bibliográfico relacionado, marcar palavras desconhecidas ou que necessitem de tradução, como também podem ser incluídos marcadores de margens como, ex (exemplo), exc (exercícios), “def” (definições), @ ( passagem significativa), ?? (confusas), !! Admiração, & (interessantes) etc. Essas consistem em destacar, fazer oposição, determinadas partes da linearidade lingüística e a exclusão das demais. Dijk (1986), se refere que, elas agem em função da estratégia de supressão, de forma a realçar ou desconsiderar certos trechos, através de símbolos convencionados pelo leitor e colocados na margem do documento; cópias de partes do documento à margem, como palavras-chave, cláusulas de sentenças, de um documento e caracteriza-se pela supressão de excertos não destacados. O sublinhado não é a única estratégia e/ou suficiente para marcar documentos, pois muitas vezes não consegue indicar todas as relações de fatos e idéias, sendo freqüente a sua combinação com as demais marcas, mas é inegável a sua importância para marcação textual.
As marcas de substituição caracterizam o trabalho com a linearidade lingüística, de forma a se criarem documentos ou formas gráficas complexas, em paralelo, podendo funcionar como redutores das sentenças do documento trabalhado, ou como paráfrase. A substituição por redução consiste na mais alta regra de se sintetizar, em especial a construção. O leitor produz seqüências que buscam fazer a síntese do contexto da leitura base. Devido a sua complexidade, não pode ser confundido como apenas a transcrição de palavras-chave do documento para a margem.
Para otimizar o sublinhado, deve-se fazer uma leitura prévia para se ter à compreensão geral do assunto e posteriormente atentar para os títulos do documento, e a medida da leitura, ir formulando questões e examinando as respostas. Salomon (1979), é prudente quando diz que é preciso examinar toda a obra e formular questões sobre ela. A técnica em tentar responder as questões, não somente indica que partes sublinhar, mas também possibilita avaliar a compreensão do texto. Nesse estágio, é preferível não sublinhar, mas fazer marcações marginais, tais como: X, # ou & etc, para sublinhar as partes que respondem as questões levantadas, pois correspondem às partes que expressam as idéias principais e os detalhes mais relevantes da noção central e não grifar sentenças inteiras, mas apenas os constituintes essenciais. Um critério básico de retroalimentar é a reconstituição da reformulação do texto a partir das palavras sublinhadas, como cita Ruiz (1991, p. 40), que é fundamental “ler o sublinhado com a continuidade e plenitude do sentido de um telegrama”.
O fichamento, é outro instrumento muito importante para se organizar uma pesquisa documental, bibliográfica, permitindo alcançar rapidamente a conclusão de um trabalho científico com as idéias concatenadas e o elenco dos dados organizados, obedecendo a hierarquia factual. Anteriormente o fichamento era elaborado em fichas de cartolinas pautadas. Hoje pode também ser realizados em folhas de papel branco comum e mais modernamente em bancos de dados da computação. O que se faz necessário é que estejam bem delimitados, para que não se perca o acesso correto ao teor da linha de pesquisa.
Há três tipos de fichamento: o Bibliográfico, que é a descrição comentada e aborda os tópicos de uma obra inteira ou de partes dela; Ficha de Resumo: é uma síntese das idéias de uma obra literária ou científica com a interpretação feita pelo autor e a Ficha de Citações, uma reprodução fiel das frases elaboradas pelo escritor e que o autor do trabalho científico, se utiliza para enriquecer, ou melhor, esclarecer com precisão o assunto em pauta.
Para Andrade (1999), fichar, é uma atividade que requer saber pensar, pois, há necessidade de se trabalhar em etapas para atingir os objetivos da leitura assim como da pesquisa, como preceitua Gonzaga,
Fichar é transcrever anotações em fichas ou folhas avulsas para fins de estudo ou pesquisa. O uso de fichas é indispensável na tarefa de documentação bibliográfica, pela facilidade do manuseio, remoção, renovação ou acréscimo de informações (apud, 2005, p. 55).
O significado etimológico de esquema, a terceira técnica relacionada, é “esqueleto”, de onde se conclui que só contém os traços essenciais do texto, o que possibilita realizar as ligações entre os elementos e funcionamento do conjunto, permitindo, assim, visualizar o todo, porque hierarquiza as idéias e destaca as diretrizes que estabelecem a unidade e o mais importante, a coerência do texto.
O esquema é um tipo de padronização textual, caracterizado pela explicitação de uma linha-diretriz seguida pelo autor, na subordinação correta das idéias, selecionando os fatos e argumentos na definição do tema, que permita ao usuário uma panorâmica geral da matriz. Ruiz (1991), argumenta que para se ter sucesso na elaboração do “esqueleto”, é preciso se observar algumas regras, fidelidade a hierarquia das partes do documento original, manter as idéias principais e não fugir da organização elaborada pelo autor durante sua construção topicalizada, porque um esquema não é descrito de forma dissertativa mas através de tópicos delineados com clareza e fácil compreensão, através de uma numeração progressiva, sistema de chaves, colchetes etc, utilizando-se do estilo de linhas descontínuas.
Após o proceder do esquema, prossegue-se com o preenchimento deste por meio do resumo. Convém observar que este não é a redução de parágrafos, mas a síntese de um texto/livro. O leitor pode usar as próprias palavras, mas preservando a fidelidade das idéias do autor. O resumo é, portanto, a síntese de determinado trabalho que exige rigor e acordo com a escrita abordada: artigos, relatórios, monografia e tese de final de curso, ou para qualquer outro tipo de trabalho acadêmico. De acordo com a língua vernácula nacional ou internacional, recebe várias denominações. “Em Português é Resumo, Resume em Francês, Resumen em Espanhol, Zusammernfassung em Alemão e Abstract em Inglês” (PACHÊCO, 2002, p.12).
Pela ABNT-NB-88, existem quatro tipos de resumos: 1. Indicativo: Não há uma síntese do conteúdo, dispensa a leitura original e nem faz análise critica. 2. Informativo: Faz uma síntese do conteúdo, dispensa a leitura do original e não faz uma crítica ao texto. 3. Informativo-indicativo: É optativa a síntese do conteúdo da leitura do original e não faz análise crítica. 4. Crítico ou recensão: Faz-se uma síntese do conteúdo e se elabora uma análise crítica sobre o texto.
O resumo exige algumas habilidades básicas do universitário, no que se refere ao domínio da linguagem formal, para compreender a leitura e perceber a sistematização das informações e argumentos, na utilização de técnicas para esquematização e identificar a padronização textual. Segundo Solomon (1979, p. 97) “A técnica mais importante na elaboração do resumo é apontar as idéias mais importantes enquanto se lê”. Só depois da anotação das palavras-chave, que se pode fazer o esboço do resumo. Não é produtivo resumir antes de se ter tirado as idéias principais do conteúdo. Logo, “não é uma maneira correta nem produtiva ir resumindo à medida que se lê” (SERAFINI, 1986, p. 147). A elaboração do documento-resumo deve ser bem construído e organizado com frases objetivas, curtas e conciso, sabendo selecionar as noções do autor, notificando as citações com referências e colocadas entre aspas. O resumo deve reproduzir a idéia central do texto, compilado em 1/3 do documento original, ser compreensível para si e para os outros da aldeia cientifica. Ler resumos científicos é um bom habito de “cultura” para praticar leitura e internalizar uma maior quantidade e variedade de conhecimentos epistemológicos e que Serafini (idem) define como um verdadeiro resumo, “um documento [...] em que o autor se mantém em segundo plano e se esforça por ser de qualquer modo objectivo, no esforço de criar uma síntese coerente e compreensível do documento de partida”.
Quanto ao estudo em equipe, seus membros têm que terem objetivos em comum, levando em conta que, “o importante não é apenas que as pessoas tenham habilidades necessárias para o desempenho das tarefas, mas que tenham boa vontade” (apud/GONZAGA, 2005, p. 64).
Finalmente, o seminário. Esse evento não é simplesmente uma proposição de tema livre, em que os alunos/acadêmicos buscam algumas referências bibliográficas e redigem o texto. A proposta dessa atividade é para aperfeiçoar a formação acadêmica e científica. Uma proposta coletiva e apresentado em sala de aula, de forma ampla, duradoura e aberta ao debate. Sobre esta técnica de estudo,
O Objetivo último de um seminário é levar todos os participantes a uma reflexão aprofundada de determinado problema, a partir de textos e em equipe. O seminário é considerado aqui como método de estudo e atividade didática específica de cursos universitários (idem 70).
É muito rico em idéias e tem como objetivo a dialética, a reflexão aprofundada sobre determinado tema. Explorado através de trabalhado de pesquisa, por um grupo de acadêmicos, que vão apresentar o conteúdo, embasados por referencial teórico documental e colocado em exposição para discussão e análise por toda comunidade universitária, de forma bem esquematizada e que deve ser bem concluída pela equipe, com a segurança e consciência da responsabilidade de elaborar e concretizar do conhecimento. O professor é o responsável pela introdução. O coordenador da equipe, pela apresentação dos participantes e o cumprimento do roteiro criteriosamente, e depois, à abertura geral ao debate e sobre a supervisão do docente. A síntese final é feita também pelo professor que faz a avaliação e tira as dúvidas, caso fique pendente alguma explicação mais objetiva. É um excelente método de estudo, uma atividade didática dinâmica que tem a capacidade de envolver todos aqueles que dele participa.
No âmbito universitário, podemos encontrar uma multiplicidade de formas e técnicas de estudo/ensino. A cada dia, esse aperfeiçoamento busca uma melhor interação do acadêmico com a complexidade dos saberes ali disseminados, como: Trabalho em Grupo e em Equipe, Seminário, Pesquisa, Estudo de Teoria, Estudo de Metodologia, Narrativa da Modernidade, os Tópicos Especiais, Estudos Especiais etc, e de disciplinas agrupadas por Linhas de Pesquisas, com alternativas de natureza historiográfica que analisam o universo teórico-conceitual da História, debatidos através de escritas e falas descritivas, com ênfase na sua problemática epistemológica e nas questões teórico-metodológicas do discurso bibliográfico. A análise da fonte deve ser constatada em sua veracidade, para que possa realmente contribuir na construção e exposição de uma obra científica, e essa, intervenha na ampliação do conhecimento histórico-científico do seu campo disciplinar.
No processo educativo formal superior, há uma diversidade de trabalhos científicos exigidos para garantir o pleno êxito no curso escolhido. Pertencer a uma turma do terceiro grau, não é ouvir aulas para conseguir adivinhar testes, mas instrumentar-se para compreender o universo epistemológico. Não se escapa, contudo, mesmo no ambiente universitário, de uma generalizada curiosidade, entre os acadêmicos, a respeito de discussões teóricas sobre a técnica mais perfeita para estudar e para aprender e apreender os conteúdos. Não se verifica o mesmo interesse em adotar e por em prática, com empenho e perseverança, nem a técnica mais perfeita, nem outra técnica qualquer, porque, na verdade, “nenhum técnica é perfeita a ponto de dispensar o trabalho que não se quer ter” (RUIZ, 1996, p. 21).
Meios para aquisição de conhecimentos pelos universitários
Vimos que a aprendizagem é um processo de apropriação da cultura, ou das culturas. Sendo assim, procuramos conhecer como essas culturas ou técnicas, utilizadas pelos acadêmicos, do sétimo período do Curso Normal Superior da Universidade do Estado do Amazonas, têm influenciado em suas aprendizagens ao longo da formação universitária. Lembrando que, segundo Ruiz (idem p. 23), “não basta descobrir tempo: é necessário desenvolver técnicas para tornar qualquer tempo produtivo”. Para a apropriação do conhecimento, por parte desses acadêmicos, procuramos saber, quais os meios que utilizam para adquirir o conhecimento dentro e fora da universidade. As respostas colhidas nos questionários foram as seguintes: documentários, TV, jornais, revistas, livros, seminários, internet, assim como conversas informais com as pessoas.
Entendemos com isso que não basta ir às aulas, é preciso munir-se de material adequado ao trabalho do dia e participar plenamente do pragmatismo educativo,
Quem só leva o jornal ou alguma revista ilustrada carrega consigo estímulos à distração própria e à dos companheiros. É preciso levar os livros recomendados pelo professor, o texto que serviu para preparação da aula, bem como o material para apontamentos (RUIZ,1966, p. 29).
Dessa forma, quando um aluno reconhece um problema ou uma dificuldade na sua aprendizagem, e planeja ou seleciona ações ou procedimentos específicos para enfrentar tal problemática, está fazendo um uso estratégico de seus conhecimentos.
Não podemos deixar de lembrar que a causa principal da aprendizagem, concebida como resultado do processo da educação formal e institucionalizada, que tem por agente principal o próprio aprendiz, porém, esta verdade não diminui a importância da ação do docente. Por isso fundamentamos esta proposição, com as palavras de Ruiz,
O mestre é necessário para ensinar como aprender. O mestre é necessário para justificar por que aprender e por que estudar isso antes daquilo. O mestre é necessário para organizar e ordenar o que aprender. O mestre é necessário para a seleção de recursos, de instrumentos adequados ao trabalho do estudante, bem como para iluminar com sua ciência objetos que a mente do aluno não veria fora desta luz. O mestre é necessário como mediador entre o programa e o aluno (idem, p. 28).
Para facilitar a aprendizagem, um melhor aproveitamento do estudo, existe algum local considerado mais adequado para esta atividade? Outra questão formulada e assim respondida, por diferentes pessoas: - Sala própria para estudo, um local exclusivo, no quintal, na biblioteca da escola e/ou no quarto de dormir.
Vê-se, portanto, que para estudar são necessárias condições ambientais adequadas, que facilitem a concentração e ajudem a melhorar o rendimento do estudante. Para Rodríguez (2000, p.30), as características de um bom lugar de estudo são, “Sempre o mesmo, tranqüilo e livre de estímulos que possam distrair, corretamente iluminado e bem ventilado”.Não se trata de uma série de elementos imprescindíveis porque, às vezes, alguns estudantes, com uma boa técnica de estudo, são capazes de se concentrarem sob condições ambientais muito adversas. Todavia, tudo será mais fácil se houver um lugar adequado para o estudo.
O primeiro passo para quem quer estudar consiste em reorganizar a vida, de maneira a abrir espaços para o estudo, e planejar o melhor aproveitamento possível de seu tempo. Por isso procuramos conhecer como os estudantes, participantes desta pesquisa, planejam seu tempo de estudo. Conforme as respostas obtidas, há quem não planeja, devido aos horários mistos de trabalho; não tem hora certa para estudar; utiliza o tempo que sobra entre a academia e o trabalho; estuda nos finais de semana.
Com respeito a investigação sobre o tempo de estudo, percebemos que a maioria dos acadêmicos interpelados, dispõe de pouco tempo para estudar fora da sala de aula. Resta, então, considerar que o estudante, após um dia de trabalho, ao invés de ir para sua casa, toma o rumo da faculdade, às vezes, mesmo sem tempo para uma refeição, e, contrariamente, a tudo o que se poderia supor, não aproveita as aulas, é um fato incoerente, porque este é o grande momento de todo estudante: as aulas. Portanto, nunca será demasiado lembra-los a importância do tempo-aula, pois, na generalidade dos casos, é indispensável à freqüência às salas de aula, pois aí terá o aluno a orientação do professor para dissipar suas dúvidas.
Ninguém desconhece o sacrifício da quase totalidade dos acadêmicos que vão para sua instituição após uma jornada de trabalho profissional. Isto é louvável, porém não o exime do compromisso de estudar e, portanto, de descobrir tempo para essa tarefa. É preciso conciliar e organizar, de forma que sejam determinadas as horas disponíveis para a diversificação das empreitadas diárias, como: freqüentar aulas, estudos particulares ou compartilhados, o trabalho e principalmente a sua vida privada, porque jamais acontecerá sucesso pessoal, profissional ou em qualquer campo de atuação, se não houver o equilíbrio necessário dado as ações e atuações para realizar as atividades necessárias, com competência e responsabilidade.
Como estudar
Existem vários fatores, externos e internos, que influenciam no estudo/aprendizagem. Como fatores externos, podemos citar o ambiente e o tempo; e, internos, a motivação e a autodisciplina. Na pesquisa efetuada com os estudantes do Curso Normal Superior, esses fatos aparecem como prioridade – O ambiente propício para o estudo deverá ser sossegado, com boa iluminação, contendo uma mesa com materiais básicos para que não haja distração com outras coisas, e uma cadeira confortável, para que se mantenha uma boa postura durante o estudo. É importante, também, que o aluno separe um tempo disponível para esse fim. A escolha deste período é individual. Alguns preferem estudar a noite e outros ao amanhecer. Poucos disponibilizam duas horas de estudo com intervalo de quinze minutos para relaxar, saindo do ambiente de estudo e faz algo para descansar a mente e retornar ao trabalho.
Somente em último caso estuda-se mais que duas horas, porque é melhor manter uma freqüência diariamente, ou pelo menos quatro vezes por semana, do que quatro horas em um só dia, por ser uma jornada muito grande de trabalho, a concentração dispersa e o rendimento é mínimo.
Considerações finais
A estrutura curricular da Universidade está montada em torno de um ‘Núcleo Comum’, e de acordo com a especificidade de cada área de formação. Para que aconteça uma real aprendizagem, a nível universitário, há uma multiplicidade de formas e técnicas de ensino, que dia após dia, vêm sendo aprimoradas, para que aconteça uma melhor interação do acadêmico com a complexidade das disciplinas.
No cotidiano da vida privada, o estudo e as experiências da vida universitária vão além das estruturas normativas institucionais, salientadas pelas diversas práticas diárias, surgindo um novo inventário e novas formas de se enxergar a vida, no locus do conflito, pela multiplicidade de conhecimentos e conceitos internalizados, e da inventividade adquirida através do exercício das práticas cotidianas que apontam para a formação histórica dos espaços de sociabilidade mais ampliada, porém, dirigida para uma classe mais elitizada, em relação ao nível intelectual, e também nas formas de interseção na sociedade. O nível de mediação da cultura é estabelecido entre o erudito e o popular. O debate teórico sobre a diferença de conceitos e as suas relações visa verificar a complexidade desse universo conceitual, e as diferenças estudadas ao longo dos anos por historiadores e antropólogos, portanto, o estudo das ciências, como um produto cultural, é capaz de transformar a natureza da sociedade, em promover mudanças de paradigmas com os avanços das técnicas, na trajetória da elaboração de racionalidades e, em contraponto, interpretar, analisar e processar as premissas culturais necessárias à sua implementação.
São múltiplas, pois, as culturas de estudo e, de pessoa para pessoa, há uma forma muito particular de escolhas. São vários os fatores que determinam as prioridades, que fazem com que cada pessoa tenha uma forma especial de estudar, os interesses, a disponibilidade, as dificuldades, a memória histórica e patrimônio cultural de cada um.
Estudar é o meio pelo qual nos apropriamos dos conhecimentos cientificamente elaborados, e a aprendizagem é o resultado da interação dessas informações com os saberes culturalmente construídos no dia-a-dia do ser que aprende, num processo dialético que leva à transformação de si e da realidade. Portanto, o processo do aprendizado permanente deve ser eterno, da concepção, ao último momento, enquanto houver vida inteligente.
Um bom aprendiz, com certeza, sabe como estudar. As técnicas certas, quando bem aplicadas e dominadas, produzem resultados surpreendentes, e como se refere Confúcio, (S/R) “O que penso eu esqueço. O que eu escrevo eu aprendo e o que eu faço eu compreendo”. Isso quer dizer quê, no mundo atual em que o conhecimento cresce em progressão geométrica e está em constante “natalidade”, a atitude do acadêmico deve ser de vigilância e criticidade no sentido de se perceber como co-autor da história, por meio da prática científica, e através das “culturas de estudo”, aguçar seus sentidos para captar e interferir nessas mudanças, em benefício da Educação da humanidade.
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