sexta-feira, 26 de setembro de 2008

A COMUNICAÇÃO, CULTURA E EDUCAÇÃO





COMUNICAÇÃO, CULTURA E EDUCAÇÃO
*Maria de Deus Oliveira de Siqueira Alves

“O homem é o princípio de todas as coisas”.
(Protágaras, a/C.)

Resumo:
Este artigo tem por objetivo relevar a importância da comunicação como produtora de cultura e educação. A postura assumida pelo homem dentro do contexto social através do processo educativo, é a única responsável pela perda ou ganho da conquista da sua cidadania.

Palavras-chave: Comunicação, cultura, educação.

É muito difícil determinar quando se deu à primeira intenção da comunicação humana Os primeiros sons produzidos pelo homo sapiens, eram onomatopéicos, isso é, reproduziam os ruídos gerados pela natureza e se utilizam também mímica. Como homo loquens criou a linguagem para exteriorizar seus sentimentos, desejos, idéias, necessidades etc. Isso foi marcante para a história da humanidade que diferenciou o homem do ser irracional. Historicamente a comunicação só existe, quando há uma troca de saberes e isso ocorreu paulatinamente, de forma progressiva, enriquecida através das gerações. No século XXI, ainda é utilizado o modelo clássico tricotômico definido por Aristóteles, a/C, fundamentado na formulação da teoria para os estudos da comunicação. Esse sistema linear perdura até os dias de hoje:
FONTE: Locutor – a pessoa que fala (quem).
MENSAGEM: Discurso – o que é dito (diz o quê)
RECEPTOR: Ouvinte – a audiência (a quem). A história da comunicação segundo Cloutier, (apud/SOARES, 1975) divide-se: Interpessoal, quando o homem utiliza os meios apresentativos – os gestos e a voz para se expressar. Inicia-se num período que não existia ainda suportes materiais para a divulgação. É necessária a presença dos ouvintes e do locutor que se utilizava de gestos e palavras num mesmo espaço e momento. Ela permanece até os dias de hoje, exemplo: as salas de aulas, palestras, seminários etc; De elite: inicia com o advento da escrita. Por muitos séculos foi privilégio de uma minoria. Depois exigiu o conhecimento de uma aprendizagem especial, estabelecendo regras gramaticais e tornou-se um saber que até hoje não é do domínio de todos. De massa: a oralidade sempre foi a mais importante cultura das massas. A alfabetização dessa categoria só ocorreu com a evolução da imprensa. Quando Johann Gutenberg girou lentamente as manivelas de sua primitiva prensa de madeira, para imprimir com tipos móveis os primeiros exemplares de sua famosa “Bíblia de Mezarino”, talvez não lhe tenha ocorrido que sua invenção acrescentaria um importante elemento cultural ao crescente acúmulo tecnológico ocorrido na sociedade ocidental, e que redundaria séculos mais tarde no aparecimento e no desabrochamento da comunicação de massa. A tipografia amplifica uma passagem de uma configuração que estava circunscrito a um reduzido número de receptores para um âmbito extremamente elevado. O século XIX foi marcado das grandes invenções, primeiro pelos sons e depois pelas imagens: telégrafo, telefone, transistor, cinema, televisão etc; Individual: é o espaço aberto que permite a expressão dos distintos discursos, isso é, o poder do homem em expressar seu pensamento e emitir opiniões, e ainda o último episódio que inicia em 1960, nos Estados Unidos, marcante na atualidade, a comunicação em ambiente virtual.
Para que aconteça uma comunicação perfeita, entre duas ou mais pessoas, é necessário que se conheça profundamente o vocabulário e saber como aplicar a palavra correta dentro do contexto, para sermos bem interpretados, pois nenhuma comunicação pode existir se o receptor da mensagem não souber interpretar o discurso de quem escreve ou fala. A comunicação não se dá apenas através da língua falada e escrita. Existem outros meios e que são fortemente aproveitados pela mídia para lançarem no mercado as propagandas de forma direta ou sublimar e que contêm apenas um objetivo nessas mensagens, atingir e aguçar um dos nossos sentidos e assim nos seduzir ao consumo, tudo muito bem elaborado pelo marketing do “capitalismo”, uma herança do regime ditado pelo americano dos Estados Unidos, o ex-presidente Ronald Reagan e a ex-Primeira Ministra inglesa Margareth Tatcher, a dama de ferro, que trouxe a voga uma nova forma de se valorizar o homem, muito mais pelo ter, possuir bens, do quê pelo “ser”, detentor de valores morais. O legado que deixou para as populações dos países do terceiro mundo foi o desamparo aos menos privilegiados, tornado-os mais miseráveis do que antes e prestigiando apenas aos donos do ‘capital’. A busca pela comunicação aconteceu nos tempos primórdios e só através dela se desenvolveu a cultura, que a princípio era apenas a transmissão de costumes adotados por uma classe social e impostos ao respeito e a imitação dos mais novos. A essa aceitação das normas ditadas pelos mais antigos, foi denominada de educação, depois denominada de educação básica e que até hoje é muito valorizada como os princípios de uma cultura familiar, da comunidade, da Igreja etc e que deve ser respeitada pelas escolas como a bagagem cultural particular de cada indivíduo. Os meios de comunicação cada dia vão se aprimorando e tornando-se mais sofisticados, como: livros, jornais, revistas, rádios, televisão, telefone, correios etc e finalmente a Internet, uma rede que liga todos os países ao mesmo tempo, tornando a informação instantânea e globalizada de forma virtual e que está ao alcance de todos, basta que para isso possa ter acesso e saiba utilizar o computador. Esses instrumentos se tornaram os principais transmissores da cultura de um país e ao mesmo tempo transformadores dessas condutas, isso é, um padrão cultural diferente que acontece nas mudanças que se dá quase inconscientemente, influenciando as gerações para cada vez mais utilizarem o mais moderno. É preciso estar bem atento para proteger a nossa cultura porque os dominadores de culturas, escraviza a alma, e o escravo, arrisca-se a perder sua identidade que esta ligada a sua independência econômica, política e cultural, que são valores que estão interligados e que garantem a soberania de um país. Os noticiários ocupam 10% de toda a comunicação, os comerciais 30% e os outros 60%, para as demais matérias: novelas, filmes, esportes, shows etc. As notícias são os mais importantes formadores de opinião pública como também da formação ideológica, por esse motivo a primeira coisa que se deve considerar é a maneira como as pessoas se colocam diante dos meios de comunicação, qual a sua atitude? De credulidade ou mantêm uma atitude crítica ou cética? A busca pela verdade, dá-se o nome de espírito crítico. Há pessoas ingênuas que acreditam em tudo que a mídia fala ao quê os outros falam. Essas são facilmente manobradas pelos interesses dos alienadores. Vivem de ‘cantadas’ e de mentiras. É doloroso ver, a alienação dos ser humano, numa doação para o nada e em busca de não sei o quê e a aceitação de tudo que lhe é imposto, muitas vezes é ilícito, imoral e que pode levar a escravidão, à servidão, enfim, a degradação do homem. Existem mecanismos para se descobrir às mentiras: o mecanismo de seleção e da combinação, exemplo: em uma sala de aula ocorre um problema? Observe como o professor e os alunos contam esse impasse, se estiverem sidos contados de forma bem diferentes, a verdade não está em nenhum dos lados, porque cada um, vai procurar relatar da forma mais convincente e cheios de artifícios que necessita para se defender. Assim são os jornais, os rádios, revistas etc, favorecem ao sensacionalismo para garantir a venda da matéria, e tanto a mídia como o povo, sofrem da síndrome do sadismo e morbidez.. Veneram as fontes que anunciam o derramamento de sangue e mortes, quanto mais bárbaro seja o crime ou o acidente, ou mesmo por morte natural de pessoas notáveis ou populares, as TVs, ficam o dia inteiro, focalizando e narrando repetidamente o mesmo texto, o acontecimento está em qualquer canal ou rádio que você utilize, como ocorreu na morte de Ayrton Senna, a princesa Diane, o Papa e outros.
Há dois tipos de comunicação publicitária: a informativa racional e a denotativa. A primeira está fundamentada na informação objetiva da coisa e procura apenas delinear as características essenciais e mais importantes de qualquer objeto. Essa descrição é absolutamente necessária para o funcionamento da nossa sociedade e fatores de progresso e desenvolvimento de nossos dias. A segunda está ligada à comunicação afetiva, inconsciente e conotativa. Baseada nas implicações do ego, como: realização pessoal, auto-estima, desejo de amar e ser amado, ascensão, prestígio, aceitação, de ser identificado e aceito como pessoa humana. Todos nós temos esses desejos e essa é uma comunicação inconsciente e baseada na natureza humana. A força desses informativos é tão violenta, que as pessoas ficam aprisionadas e até beijam os seus grilhões. Ocorre de várias formas: Mutação: imitamos as pessoas mais importantes e de fora para dentro; Sugestão ou auto-sugestão: é um ato psicológico, se inspira na idéia por métodos quase hipnóticos; Persuasão: é a insistência sobre a sensibilidade que ataca uma série de motivações afetivas, às vezes conscientes, mas pouco lógicas, mesmo quando se apresentam com razões; Pressão moral: é o processo pelo qual se leva alguém a fazer algo, apelando para o sentimento de culpa; Percepção sublimar: é proibida por lei e exercer grande influência, mas estão espalhadas pelos milhares out-doors, principalmente nas cidades e muitos nas estradas, através da apelação visual que é muito mais receptiva. No início do século XXI, quando as viagens espaciais está se tornando um fato corriqueiro e até sendo explorada para o campo do turismo, as sociedades cada vez mais ricas de informações através do avanço das tecnologias, é lamentável o diagnóstico de que uma parte significativa da humanidade ainda é analfabeta e reflita com o Prof. Soares:
A simples introdução dos meios e das tecnologias na escola pode ser à forma mais enganosa de ocultar seus problemas de fundo, sob a égide da modernização tecnológica. O desafio é como inserir na escola um ecossistema comunicativo que contemple ao mesmo tempo: experiências culturais heterogêneas e o entorno das novas tecnologias da informação e da comunicação, além de configurar o espaço educacional como um lugar onde o processo de aprendizagem conserve o seu encanto. (Apostilha da USP, 2003)
Muitas instituições educativas ainda utilizam a repressão, discursos vazios e sem significados e não permitem a liberdade de expressão e a expansão da imaginação, matando a criatividade e reprimindo a comunicação entre os sujeitos e dos seus saberes populares tradicionais e impondo um ensino sistematizado quê não condiz e nem provoca o interesse por parte do ouvinte. É de responsabilidade da escola, construir sujeitos críticos e de saberes múltiplos. Criativo e com valores morais e éticos. Capaz de pensar, refletir, discernir e não robôs provocados pela rotina e automatização do ensino. O diálogo, a discussão construtiva, são formas de liberdade de expressão que deve ser construída com consciência e seriedade e conduzindo o ser humano com humanismo, respeito pela diferença, solidariedade e à medida que isso é exercitado, possa fazer parte da personalidade do indivíduo tornando-o um homem de procedimento positivo, “capaz de pronunciar a sua palavra, ouvir sua voz, escrever seu pensamento. Temos direito a uma comunicação ativa e não apenas passiva. Temos diretos de sermos sujeitos e não apenas objeto da comunicação. Isso é fundamental”. (GUARESCHI, 2001, p.157).

Referências

BARBOSA, Ierecê. Comunicação intra e interpessoal no processo educativo. UEA – Universidade do Estado do Amazonas. Programa de Pós-Graduação e Ensino das Ciências. Pós- Graduação em Pesquisas Educacionais. Livro 3 – BK Editora – 2005.
GUARESCHI, Pedrinho A Sociologia Crítica. Alternativas de mudança. 50º ed. Porto Alegre - 2001.
RODRIGUES, Alberto Tosi. Sociologia da Educação. [o que você precisa saber sobre ...]. 2ª ed. De Paulo Editora Ltda. Rio de Janeiro. 2001.
SHIROMA, Eneida Oto. Moraes, Maria Célia M. de. EVANGELISTA, Olinda. Política Educacional. [o que você precisa saber ...] 2ª ed. De Paulo Editora ltda. Rio de Janeiro. 2002.
SOARES, Prof. Dr. Ismar de Oliveira. Comunicação – Educação. A emergência de um novo campo e o perfil de seus profissionais.
Apostila.ECA/USP.2003http://www.lerparaver.com/amigos/leonardo_comunicacao.html
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