EDGAR MORIN - FILÓSOFO FRÂNCES





Autor: MARIA DE DEUS OLIVEIRA DE SIQUEIRA ALVES

A Filosofia tem sido incansável na tentativa de interpretar os fenômenos e os elementos que compõem o universo. Os filósofos foram os precursores epistemológicos na decifração e decodificação das ciências naturais, humanas e sociais. Através das pesquisas baseadas nas principais concepções científicas, como: a) Hipotético-detutivista, da teoria científica, racionalista dos gregos, delineada pela metafísica de Platão e permaneceu até o final do século XVII. Iniciado pelos trabalhos de René Descartes e de outros adeptos dessa corrente filosófica-científica, como Baruch Spinoza, Friedrich Hegel, Imannuel Kant, Gottfried Wilhelm Leibniz. Até hoje não foi erradicada e nem perdeu sua validade totalmente. b) Hipotético-indutivista, da ciência empirista, desde Aristóteles até o século XIX, com base em Francis Bacon, que explica que somente uma mente esclarecida pode se organizar para conhecer a realidade e os “vícios” como os ídolos é que deturpam a visão: ídolos de tribo, que são as crenças de natureza humana; Ídolo das cavernas, a interpretação subjetiva de cada um; ídolo de fórum, erros cometidos pela sociedade e ídolo do teatro, a alienação. Outros famosos empiristas foram: Jonh Locke, David Hume. Na linha da pesquisa para os fenômenos psicológicos, é iniciada por Jonh Stuar Mill. c) Lógico-experimental, baseada na teoria construtivista iniciada no século XX, que busca a resposta proximal das verdades porque ainda existem muitos mistérios para serem decifrados pelos seres humanos e esses procedimentos devem ser procedidos com ética individual e planetária, para uma unificação da multiplicidade do saberes. Karl Popper elaborou sua epistemologia ao mesmo tempo, dentro (porque é um dos primeiros defensores de suas idéias essenciais) e fora do empirismo lógico ou neopositivismo (porque se apresentou desde cedo como dissidentes da “Escola”, sobretudo aos critérios de verificação experimental nas ciências) e por ser se declarar um racionalista crítico. Por sua obra, Popper é mais conhecido como filósofo político do que das ciências, por se opor a duas tendências marcantes da epistemologia anglo-saxônica: o positivismo lógico e a da filosofia da “linguagem”, que inspiraram, de um lado, o neopositivismo lógico e, do outro, a filosofia “lingüística”. O projeto da Escola de Viena era tentar uma unificação do saber científico e elaborar um método comum a todas as ciências, de tal forma que fosse uma garantia contra o erro e do acúmulo de conceitos vazios de significação. Popper, era contra todos os pseudoproblemas que tanto atravancaram as discussões epistemológicas e duvida das teorias elaboradas a partir da observação de número finito. Sua preocupação epistemológica essencial se refere à elucidação de “valor” das teorias científicas, fazendo a demarcação entre a ciência e metafísica e a utilização do método indutivo, porque não se pode concluir pela existência de uma verdade teórica universal, devido ao seu caráter ser infinito, exemplo: a proposição universal “todos os cisnes são brancos” não é verificável, mas falsificável. Em contrapartida, a proposição existencial “há corvos brancos” não é falsificável, mas verificável e que ele concluía que, quando várias teorias rivais se apresentam, se deve preferir aquelas cuja falsidade ainda não foi estabelecida. Para ele todas as leis científicas em sua essência são hipotéticas e conjeturais e que não se pode garantir a verdade, mas apenas a proximidade dela. Karl se considera ao mesmo tempo, um racionalista, empirista e realista e um inimigo do convencionalismo, do pragmatismo e do subjetivismo, pois a ciência está em constante modificação ou em permanente retificação.
Para se atingir o conhecimento científico, a ciência exige a interpretação de um problema, ou de um fenômeno etc, através da experimentação e observação das hipóteses fatídicas. O uso da análise investigativa que transcende aos fatos só é considerada verdadeira, quando aceita ser falível e se expõe a ser pesquisada sua verificação por diversos métodos, seja o empírico, experimental, positivista, fenomenológico (Edmund Husserl, Franz Bretano), dialético etc, para determinar a realidade. Essa complementaridade dignifica o respeito pela diferença para se chegar a uma unidade, sendo essa, chamada de verdade aproximada, que pode ser corrigida, modificada ou trocada por outra, com a finalidade de ser a mais viável para o estudo e decodificação do fenômeno. Pesquisas científicas para a educação, como as descritivas e experimentais, para obterem cientificidade e melhores resultados, tiveram que ceder e se aliarem às novas metodologias, como a investigação qualitativa ou naturalista, a etnográfica, o estudo de caso. No século XX, Augusto Conte fundamenta o Positivismo, com o primeiro paradigma para os estudos sociais, e cria também a Sociologia. Surgem conflitos sobre qual a pesquisa mais viável para a análise das ciências e Émile Durhein e Max Weber, desenvolvem o sistema positivista, também chamado de organicista, funcionalista etc. Conte, sintetiza sua corrente filosófica em três estágios: Teológico (agente sobrenatural), Metafísico (forças filosóficas) e o Positivo (o pensamento humano). Buscava um método que se adequasse ao estudo das ciências sociais e humanas ao mesmo tempo. Surge o pensamento Histórico , está baseado na evolução ontológica e das leis que regem a força social e econômica no espaço e tempo, tendo como método a dialética socratiana, da pergunta e da resposta e na noção platônica, que busca o conhecimento do ser e sua libertação, explicado pela alegoria da caverna. O dialético como lógica, é uma noção aristotélica através das premissas prováveis, porque a dialética para Aristóteles não poderia ser baseada apenas na opinião, mas sim no princípio da contradição. Para Hegel a dialética é a lei da realidade propriamente dita, fundamentada nas tríades, teses (o oposto ao outro), antíteses (representa a negação) e a síntese (constitui a unidade e a certificação das duas). Fritjof Capra (1996), avalia sobre a mudança do comportamento humano em relação a prática aleatória da corrupção e ao individualismo vivido pelo homem da atualidade e acusa como causa primeira, a fragmentação dos conceitos. A ausência de arquétipos imbuídos de perfeição, provocou na humanidade uma crise de paradigma. Emerge do seu pensamento a unificação e entrelaçamento de todas as ciências que tem como seus seguidores os autores como: Alvin Toffler, Alain Touraine, Francisco Maturana, Michel Maffesoli, Frei Betto, Julius Robert Oppenheimer, Pierre Weil, Leonardo Boff, Stanislav Grof, Roberto Crema e, em especial,
Edgar Morin.
O significado clássico do termo paradigma em Platão, era a idéia de modelo. O uso dessa terminologia aplicado à história do fazer científico foi implantado por Thomas Kuhn nos anos de 1970/80, quando se refere que ao conceber um paradigma, uma comunidade científica, está emitindo um critério e esse permanece até quando for aceito como uma provável solução. Em seu texto, A estrutura das Revoluções Científicas, ele cita que, a quebra de um paradigma sofre muitas resistências, pois todos são renitentes às mudanças e o empenho dado ao estudo para comprovar ‘essas coisas’ é o que prepara o estudante para ingressar ao saber clássico, estudando os modelos do campo das ciências, já anteriormente fundamentados e baseados em critérios científicos e que atingiu um patamar básico de conhecimentos que servem de suporte para uma concepção científica, e a partir deles estabelecer um estudo mais aprofundado na busca da ampliação e transformação do saber, que conduz a produzir outros conhecimentos e novos tipos de paradigmas. Gaston Bachelard é o primeiro cientista a usar o termo “complexidade” , na acepção de um modo de conceber da ciência O pensamento intelectual e contemporâneo de Edgar Morin, atingiu adeptos mundialmente. Provoca sem trégua, o reencontro entre cultura científica e a humanista por meio de sua Ciência de Complexidade. Refere-se que, o conhecimento não deve ser uma instituição privada mas uma tarefa histórica de todos os homens. Assim como Leonardo Boff, “o ponto de vista é a vista de um ponto”, ele ratifica que, cada um se organiza conforme seu acesso as informações, e o que determina o fluxo e dinâmica do conhecimento é “incompletude, o inacabamento. A parcialidade ou fragmentação do conhecimento é a sua tragédia. Reafirma a noção de Gödel que, a totalidade é a não-verdade. É necessário o rigor e disciplina intelectual no método de investigação porque só pode se considerar ciência aquilo que é feito à luz da consciência verdadeira, baseada na ética individual e planetária. Dessacralizar a ciência e facilitar a compreensão de sua linguagem técnica, é destituir a falácia do poder. Isso incomoda a comunidade científica que vê desnudo os seus segredos. Morin classifica as aptidões que constituem o ser humano, como: pulsão, razão e emoção. Essa última considera uma armadilha para a cognição, porque a percepção e decodificação do mundo através dessa, pode ser mal interpretada, já que essa possui várias formas de manifestação, como prazer, fúria, rebeldia, felicidade etc, e não se pode produzir mundovisões e interpretações dos fenômenos guiados sob estado emocional. O conhecimento antropológico e da cultura se constroem por três matrizes, para Morin: a biologia fundamental, a animalidade e a humanidade do conhecimento. A biologia do conhecimento ensina que todo ser vivo é auto-eco-organizador, que processa por si, em si e para si, sendo isso totalmente subjetivo. A animalidade emerge do interior da biologia do conhecimento e permite compreender as características da culturas humanas, como estratégias cognitivas. A ação desinteressada ou intencional encontra-se de forma lata no mundo animal e se complexificam no domínio do humano. A humanidade surge no processo de construção das sociedades humanas, mas mantém as características gerais da biologia e animalidade do conhecimento. Baseado nas pesquisas de Mac Lean, dirá Morin que o sujeito é constituído não só por um cérebro bi-hemisférico, mas também triúnico, que contém três feixes de informação: o primeiro, reptílico, responsável pelo cio, pela agressão e pela fuga; o segundo mamífero, responsável pela afetividade; e o terceiro propriamente humano, portador de um neo-córtex que faz emergir a inteligência lógica e conceitual. Às três matrizes (biologia/animalidade/humanidade), tanto quanto as três faces do nosso cérebro (reptílico/mamífero/racional) dialogam entre si, por vezes se indistinguem, por vezes se excluem. Tanto a indistinção como a exclusão são atos que denotam a regressão em complexidade. É a complementaridade entre as três matrizes e entre as faces do nosso cérebro que constitui a complexidade humana. Conforme Morin, existem duas revoluções científicas contemporâneas: na primeira, o pensamento complexo inicia com a incerteza sobre os conhecimentos científicos da termodinâmica, a física quântica e a cosmofísica que desencadeou reflexões epistemológicas de Popper, Kuhn, Gerad Holton, Imre Lakátos (reconstrução racional), Paul Feyrabend (interecionalidade), mostrando que a ciência não era a certeza, mas apenas baseadas em hipóteses e quando uma teoria é provada, não o é em definitivo e se mantém 'falsificável', no não-científico (postulados, paradigmas, themata) no seio da própria cientificidade. A segunda, mais recente, ainda indetectada, é a revolução sistêmica nas ciências da Terra e a ciência Ecológica. Ela não encontrou ainda seu prolongamento epistemológico. Argumentando contra os determinismos de qualquer ordem (sejam eles biológicos, genéticos, sociais, geográficos ou ecológicos). Boris Cyrulnik, oferece uma farta agenda de argumentos e noções para a indissociação da natureza e cultura. Apoiado em seus argumento, Morin sintetiza os quatro pilares que sustentaram a ciência Clássica: O primeiro é o da Ordem que postula um universo regido por leis deterministas (Newton); O segundo é o Princípio da Separabilidade, foi o maior responsável pela especialização não comunicante que decompõe os fenômenos em elementos simples para analisá-lo (Descartes no Discurso sobre o Método), que separou os grandes ramos da ciência e, no interior de cada um deles, as disciplinas até configurar uma parcelarização generalizada do saber, os objetos de seus meios e o sujeito do objeto; O terceiro, diz respeito ao Princípio de Redução que fortalece o princípio da separabilidade, que supõe como elementos de base do conhecimento os domínios da física e da biologia deixando em plano secundário a compreensão do conjunto, da mudança e da diversidade e reduzir do cognoscível àquilo que é mensurável, quantificável, formalizável, segundo o axioma de Galileu, de que os fenômenos só devem ser descritos com a ajuda de quantidades mensuráveis. A redução ao quantificável, que condena à morte qualquer conceito que não se traduza por medida, uma contradição, porque o conhecimento do ser não pode ser mensurado. O quarto pilar, era o da Lógica Indutiva-dedutiva-identitária. Tudo o quê não passa pelo crivo da razão é expurgado da ciência. O princípio aristotélico da identidade excluirá o que é variante e contraditório, que privilegia a ordem e o que é inferível a partir de um sistema de premissas. Poder-se-ia supor que eles permaneceriam inabaláveis para sempre. A ciência do século XX, em meio ao conjunto desordenado de seus avanços, provocará um abalo sísmico que os atingirá, e sacudidos pelo surgimento da desordem, da não-separabilidade, da não-redutibilidade, da incerteza lógica", e que coube a Edgar Morin, assumir o desafio de religar e fazer dialogar o que à partida se constituíam em revoluções dispersas, por domínios disciplinares, a partir do método complexo. que permitem religar homem e mundo; sujeito e objeto; natureza e cultura; mito e logos; objetividade e subjetividade; ciência, arte e filosofia; vida e idéias. Desde 1970, Edgar Morin que tem sido identificado como o protagonista central da Reforma do Pensamento e da Educação. São três as meta-questões que devemos resguardar: 1. A reforma da universidade pragmática e paradigmática; 2. Deve a universidade adaptar-se à sociedade ou a sociedade a ela?; 3. De onde devem partir as propostas de reforma? - a essa questão Morin embora reconheça a necessidade de transformar a estrutura hegemônica da academia acha importante investir em iniciativas marginais e se refere que, para conduzir uma educação a complexidade, deve ser enunciada uma agenda de múltiplos princípios, sintetizado assim: 1. Pensar na educação como uma atividade humana cercada de incertezas e indeterminações e comprometida com o destino da humanidade; 2. Praticar a ética com competência, preocupada com o presente e o futuro; 3. Buscar as conexões existentes entre o fenômeno que queremos compreender e o seu ambiente maior; 4. Ser heterodoxo e questionar e duvidar das respostas fáceis, finalistas e completas; 5. Exercitar o diálogo entre os vários domínios das especialidades elaborando as suas ligações; 6. Interdisciplinar a arte com a ciência, a literatura etc; 7. Transformar os ensinamentos em linguagens que desperte o maior número de investigadores para a ciência. Para Morin, cultivar esses princípios será um bom exercício para religar as teorias, os conhecimentos benignos para a ciência, e atrelá-la de forma indissolúvel à organização da vida sobre a terra. Por mais controvertida que seja a discussão sobre os fenômenos que ocorrem na natureza e com a humanidade, essa amplitude de conhecimentos, essa busca constante do homem em conhecer a verdade sobre a sua origem e os fatos que ocorrem no mundo é o que mantém em constante transformação o mundo. Mas o ser humano só poderá obter resultados verdadeiros com a pesquisa, quando se chegar ao equilíbrio e as idéias não se divergirem mais, então se terá chegado à conclusão e estabelecido um paradigma universal.
REFERÊNCIAS
BASTOS, Rogério Lustosa. Ciências Humanas e Complexidades: Projetos, Métodos e Técnica de Pesquisa: O caos, a nova ciência. Juiz de Fora, MG: EDUFJF, 1999.
BRITO, Cezar Lobato. Modelos ou Paradigmas de Análise da Realidade. Pós-Graduação em Pesquisa Educacionais. UEA. Manaus/AM: BK Editora – Livro 7, 2005.
http//:www.mundodosfilo
www1.folha.uol.com.br/folha/sinapse/ult1063u51.shl
www.ufrn.br/grecom/edgarmorin.html
sofos.com.br/socrates.htm

http//:www.mundodosfilosofos.com.br/platao.htm
http//:www.mundodosfilosofos.com.br/aristoteles.htm
www.pernambuco.com/diario/2005/04/20/opiniao.asp
paginas.terra.com.br/educacao/teletrabalho/Teste%202%20Filosofia/contemporaneos.htm-.www.sulc.com.br/afolha/ Paradigma em Thomas Kuhn
http://www.geocities.com/revistaintelecto/lakatos.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Vilfredo_Pareto
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